Mostrando postagens com marcador romance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador romance. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

LIVRO MACHU PICCHU: ROMANCE TRÁGICO DE UMA COMÉDIA BRASILEIRA


Você já escolheu um livro pela capa? Acredito que este seja um dos gestos mais comuns para os apaixonados por leitura e que não estão preocupados com o conteúdo e, sim, com o prazer de ler. Comigo isto acontece sempre. Recentemente, estava lendo uma revista, quando apareceu uma entrevista com o músico, compositor e escritor Tony Bellotto falando de seu mais atual lançamento, o livro Machu Picchu. E já de pronto fiquei interessado por causa do fascínio que a montanha sagrada me provoca. No entanto, só adquiri o texto por coincidência do destino.

Fui à Livraria Leitura comprar um guia turístico e na prateleira estava a obra do guitarrista do Titãs, que quase caiu no meu colo, pedindo-me para ser levado. Viciado que sou, comprei. E numa sentada devorei o conteúdo que surpreende pela falta de coerência com o título da obra.

O romance é ambientado no Rio de Janeiro, mostrando personagens comuns em conflitos do cotidiano de um casamento de 18 anos, que passa por uma crise de valores. A história é de um casal que se questiona sexualmente, buscando experiências numa era em que a virtualidade permite sensações novas e até mistérios que podem ficar em segredos. Porém, a trama, apesar de ser dramática, traz um humor sarcástico e reflexivo, com cenas de uma família carioca que passa por situações rotineiras de uma cidade grande, com seu caos normal. E o que eles vivem é mais cômico do que triste.

Editado pela Companhia das Letras, em 2013, Machu Picchu narra as aventuras de Zé Roberto e Chica, que estão presos num congestionamento, em pontos diferentes da capital fluminense. Neste tempo parado, fatos inesperados fazem com que o casal reflita sobre suas vidas aparentemente banais.

E os personagens são muito caricatos: um homem que se masturba no escritório vendo o strip-tease de uma garota pelo skype; uma mulher insatisfeita no trabalho, mas que topou ser amante do colega com sexualidade duvidosa; um jovem maconheiro com problemas com o traficante; uma criança de 12 anos com poderes quase paranormais; uma ex-esposa maluca que já foi modelo internacional e até massagista de pousada; e uma filha perdida e ausente. E ainda tem uma policial que aparece de repente e que é hilária, entre outros seres que parecem existir somente na nossa imaginação.

Machu Pichu é um retrato da sociedade brasileira que se esconde atrás de seus desejos, fingindo a perfeição cobrada por convenções do nosso tempo. Podia ser uma tragédia, mas o livro é para rir da realidade. E relaxar sem gozar. 

Para encontrar Machu Picchu
Autor: Tony Bellotto 
São Paulo, 1ª edição, 2013

Onde comprar:
Submarino: R$ 24
Saraiva: R$ 13,00 versão e-book
Americanas: R$ 24,90

Mensagem do autor: 

Clique na foto e assista ao vídeo







segunda-feira, 9 de abril de 2012

A ARTE DA RESSUREIÇÃO



Desde a ressurreição de Jesus Cristo, os cristãos esperam a volta do mestre filho de Deus. Em 2012 anos de histórias, vários pregadores apareceram dizendo que o título de salvador dos homens era deles. Apesar de serem considerados falsos, diante da fé de quem crê, a mensagem destes “falsos profetas” era a mesma das passagens bíblicas, onde o próprio Jesus alertou, no trecho em Mateus 24:4-5: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

Verdade ou fanatismo, o aparecimento destes pregadores da fé é instigante. Será a reencarnação do Verbo? Ou o delírio de homens em busca da iluminação dada pelos fiéis? No Chile, em 1922, surgia um messias dos pobres, órfãos, mulheres, trabalhadores explorados: o Cristo de Elqui, como foi chamado Domingo Zárate Vega, após perder a mãe e sair pregando a palavra de Deus pelos desertos.  

O personagem verídico passou 22 anos andando no deserto do Atacama, chegando à Bolívia e ao Peru, com suas ideias de libertação, de cura por meio do uso de ervas medicinais e de preceitos para se viver bem em harmonia com o Pai e com os homens.

Esta história é narrada em forma de romance pelo autor Hernán Rivera Letelier, que nasceu em Talca – Chile, em 1950, no livro A Arte da Ressurreição, editado no Brasil pela Objetiva. Com um texto diferente, quase semelhante à escrita de José Saramago, o escritor opta por contar os fatos misturando a primeira e a terceira pessoas e ainda sendo até personagem do relato. A obra é marcada pela curiosa trajetória do ermitão considerado louco que buscava encontrar uma discípula fiel assim como Jesus considerava Maria Madalena.

No livro, o Cristo de Elqui sai pelo árido deserto, visitando os salitres – como se fossem as carvoarias brasileiras, mas lá é encontrado um produto natural considerado excelente fertilizante -, em busca da mulher perfeita para seu projeto messiânico. Magalena Mercado – batizada assim por causa de Santa Madalena, mas por vingança do escrivão contra o pai dela acabou sendo chamada por um nome com letras trocadas -, é uma prostituta beata, que serve aos desejos sexuais de trabalhadores de um salitre, porém é fiel a Virgem do Carmo e aos preceitos religiosos.

O Cristo de Elqui não é um santo. Magalena também não. No entanto, cada um possui uma missão divina. Ele, levar a palavra de Deus esquecida. Ela, oferecer aos pobres, minutos de prazer diante das mazelas da exploração do trabalho quase escravo. Com pequenas doses de erotismo e histórias de tipos chilenos, o livro é o relato de uma época que ilustra a pobre situação econômica de um dos países mais ricos atualmente da América do Sul.

Ainda é mistério se Domingo Zárate Vega é a reencarnação de Cristo, contudo sua vinda na Terra provocou reações extremas: seu enaltecimento pelas multidões até o seu esquecimento.

Sinopse
Primeiras décadas do séc. XX. O andarilho Domingo Zárate Vega começa a descobrir formas apocalípticas nas nuvens e a acertar na previsão de pequenos desastres. Depois da morte de sua mãe, decide viver como um ermitão no árido vale de Elqui, onde acaba se dando conta de que ele nada mais é do que a reencarnação de Jesus Cristo. Ao saber da existência de uma prostituta que venera a Virgem do Carmo e, além disso, se chama Magalena, ele sai em sua procura com o propósito de fazê-la sua discípula e amante, para juntos divulgarem o fim do mundo.

Vencedor, na Espanha, do Prêmio Alfaguara de melhor romance, A Arte da Ressurreição coloca Rivera Letelier entre os grandes autores latino-americanos da atualidade. A partir de um exaustivo trabalho de pesquisa, no qual entrevistou pessoas que conheceram o personagem, que pregou por 22 anos no deserto, Rivera Letelier entrelaça diferentes histórias, juntando-as às lendas que ouviu nos canteiros de salitre quando era menino, para criar uma obra única.


Imagem de Cristo de Elqui

Para comprar:

sábado, 10 de março de 2012

Beber Jogar F@#er: a jornada de um homem em busca de diversão na Irlanda, em Las Vegas e na Tailândia



Lá em Bom Despacho, terra de quem escreve este texto, a maioria dos homens tem uma tríade de preferências: cerveja gelada, mulher pelada e boi na invernada. Este provérbio popular é comum nas rodas de amigos que enaltecem a simplicidade do viver bem e com muito pouco. Os dois primeiros desejos são populares, entrando no topo das melhores coisas do mundo. Ter boi na invernada é um querer do caipira, do produtor leiteiro, do fazendeiro: quanto mais hectares para cuidar do gado, mais feliz ficará. Ter terra e gado faz parte do jogo masculino.

E existe preferência para tudo. Crianças gostam de brinquedos, de sorvete, de bala e goma de mascar. Meninas querem bonecas, batom e cadernos da Moranguinho. Mulheres! Ah, estas só vão querer três coisas: falar, falar, falar. E os homens? A resposta está lá em cima e o complemento vem daqui a pouco.

O mundo ama fazer listas. Há tópicos para qualquer pesquisa, desejo, dica, tutoriais, faça assim ou assado. Lá em Bom Despacho, tem o panfleto dos cornos, dos malas, das gostosas. Recentemente, as listas viraram livros: 1001 lugares para conhecer antes de morrer, 1001 livros para ler antes de morrer, 501 grandes escritores, etc etc etc. Um livro, nesta linha, virou filme. A representante das mulheres nas películas é a atriz Julia Roberts que interpreta Elizabeth na história Comer, Rezar e Amar.

De acordo com a sinopse, Elizabeth descobre que sempre teve problemas nos relacionamentos amorosos. Um dia, ela larga tudo, marido, trabalho, amigos, decidida a viver novas experiências em lugares diferentes por um ano inteiro. E parte para a Índia, Itália e Bali, para se reencontrar.

Para os homens, em 2009, o escritor com experiência em sitcoms, roteiros e livros, Andrew Gottlieb entrou na onda das listas e lançou o manual Beber, jogar, f@#er. Não um manual de auto-ajuda, destes que fazem o leitor pensar, agir e mudar da noite para o dia. A obra é uma ajuda para o entretenimento de quem levou um chifre e precisa rir da própria merda de vida. E, claro, para ensinar que a vida tem regras, mas que servem para serem quebradas.

Beber, jogar, f#@er conta a saga do gerente de contas de uma agência de publicidade, que foi traído e abandonado pela mulher. Bob Sullivan abandona tudo que tem para se entregar, na visão dele, às melhores coisas do mundo: encher a cara com todas as bebidas na Irlanda, apostar até o último fio de cabelo em Las Vegas, e concretizar seus desejos proibidos na Tailândia.

Bob é americano. João, um amigo de Bom Despacho. Bob ensina que é preciso dar um gás nas atitudes para sair do marasmo. Que esta vidinha chata de casa – trabalho – casa pode se transformar numa equação mais divertida quando se busca experiências novas. E como homem revela: bom mesmo é beber, transar e se divertir, tendo dinheiro para gastar. João, que disse em sua fazenda, lá atrás na minha infância, quando eu ouvi pela primeira vez este provérbio, que homem gosta é de cerveja, peladas e bois. Ele já sabia antes do lançamento do livro: homem é tudo igual. E a gente gosta é disso mesmo: beber, transar e divertir.

Beber jogar f@#er
Sou um sarcástico. Gosto do meu humor. Quem me conhece sabe que não levo algumas coisas a sério. Ganhei este livro da Editora Planeta no dia do meu aniversário, em 2012. Iana, uma figurinha especial na minha vida, foi quem chegou com o pacote. E disse: este livro é a sua cara. E é mesmo. Degustei cada página pensando nas atitudes que não tomamos, nas viagens que não vamos, nas escolhas que não fazemos. Para ler num fim de semana ou um capítulo por ida ao banheiro. Diversão para todos os seres que possuem membros fálicos.

Detalhe: como escolhemos livros pela capa, este é um elogio ao design. Para escrever o verbo BEBER, foram utilizadas tampinhas de cervejas; JOGAR, com fichas de cassino; e as camisinhas desenham o FUDER. Um all type inteligente e criativo. 

Dicas:

Para comprar:
Submarino
Americanas
Leitura

domingo, 18 de setembro de 2011

ROMANCE E TRAGÉDIA: THE VAMPIRE DIARIES


Começou a 3ª temporada de The Vampire Diaries. Os seguidores da série estavam na expectativa desde maio, mas eu estava tenso desde o dia em que comecei acompanhar a história de Elena, Damon e Stefan, e o mistério da cidade Mystic Falls, com todos os seus outros personagens.

Envolvi-me com esta série neste ano, para passar o tempo enquanto a 4ª temporada de True Blood não voltasse. (Percebeu que eu tenho sede para os vampiros, né?) No início era uma onda, porém fui apaixonando a cada episódio. Com o dia 16 de setembro de 2011 na cabeça, e as horas cada vez mais rápidas, tive que me afastar do mundo para conseguir estar em dia com a série. Ou seja, todo mundo comentando o que viria, e eu ainda atrasado na 1ª temporada.

Apesar de ser uma narrativa ficcional, com lobos, bruxas, vampiros, The Vampire Diaries trata sobre o amor e, sobretudo, da humanidade destes seres sobrenaturais. Revela também que mocinhos e vilões vivem as contradições da natureza humana: amor/ódio, alegria/tristeza, rancor/perdão, tudo em busca de algo que sempre estamos desejando: a felicidade. Contudo, tem sempre alguém querendo atrapalhá-la seja por inveja ou por admiração, e pelas próprias escolhas que nós, e os personagens, optamos ao longo da vida. E esta série possui todos estes ingredientes que provocam a torcida para um ou outro personagem. Quando os minutos finais vão chegando, fica aquela sensação das cenas dos próximos capítulos: o que virá?

Para quem ainda não viu nada, os primeiros capítulos se parecem com a trilogia Crepúsculo - um romance adolescente, meloso e cheio de conflitos bobinhos -, mas após o sétimo episódio, há uma reviravolta, que dá gás à história. E meus amigos concordam comigo neste ponto. E também dizem que valeu a pena assistir e esperar algumas confusões se resolverem, pois depois o “bicho pega”. Para os fãs como eu, que estão envolvidos e já antenados com a 3ª temporada, o desejo é entender a complexidade dos personagens: ora humanos ora sobrenaturais, e o que eles são capazes de fazer para alcançar seus objetivos.

Os roteiristas de Vampires Diaries sabem fazer cliffhanger e nos deixar ansiosos para as próximas emoções. 

terça-feira, 7 de junho de 2011

UM ENSAIO PESSOAL INSPIRADO: CEGUEIRA BRANCA, DOENÇA CONTEMPORÂNEA

"Ensaio sobre a cegueira é um drama com imagens soberbas e alucinatórias de colapso urbano. Tem uma linha de horror em seu centro, mas se torna mais leve pelo humor e gentileza", afirma o crítico Peter Bradshaw.

Cena do filme Ensaio sobre a Cegueira

É intenso do início ao fim. Tão forte que chega a dar náuseas e provocar a Ira diante da crueldade humana. Leitura difícil por causa do português de Portugal e do estilo peculiar do Nobel José Saramago. Ler Ensaio sobre a Cegueira, mais do que aprendizado e reflexão, é um exercício de querer mudar o mundo já.

O livro estava escondido na prateleira há uns 10 anos. Levado para o banheiro, o primeiro parágrafo não servia de estímulo. Já é angustiante. Penso que os livros devem ser lidos quando as pessoas estiverem preparadas mental e fisicamente para eles. Dá pena ver universitários de 17 anos, obrigados a lerem clássicos como Machado de Assis, Clarice Lispector, José de Alencar, dentre tantos outros mestres das palavras. Não há maturidade emocional nem vocabulário para entender o conteúdo complexo destes autores. Ler Saramago foi desafiador. Sacrifício que gerou perdas musculares, do cérebro e do corpo. Mas, era preciso...O momento pedia, já que o filme homônimo também estava à espera. Dois anos na estante. E eu doido para ver. Por princípio, não vejo um filme sem ler o livro.

Foram 2 meses, um capítulo por dia, um enjoo constante, garganta presa. O que este romance quer? O que este autor precisa nos dizer com descrições tão escatológicas? Uma cidade cega e desconhecida, um povo cego, pessoas sem nome, tudo obscuro pela claridade, pela doença branca. Tudo estava ali na frente dos personagens, mas eles não eram capazes de enxergar. E nós, leitores, vamos ficando a cada linha mais vivos, com outra visão da realidade. O que eles aprendem na dor, nós devemos executar por meio da leitura. Na cegueira de mim, do que sou, do que acredito ser o que enxergo, devo ver no outro, o que ele enxerga. E caminhar juntos.

Saramago é cruel. A única mulher capaz de enxergar na história sofre porque é normal. A cruz dela é ser os olhos dos doentes. No filme é interpretada pela dramática Julianne Moore, que carrega o fardo de mostrar que em terra de cego, nem sempre o olho sinaliza que existe um rei. Porém, ela tinha uma tesoura para lutar contra um revólver. O objeto cortante ficava pendurado, na altura do olhar da mulher (aqui eu queria a palavra antônima de cega, mas não encontrei...Acredito que os homens letrados esqueceram desta. Por exemplo: surdo x ouvinte, destro x canhoto, normal x deficiente e cego x ????. Não existe, ou desconheço?). Destaca-se esta cena, por um simples motivo: está ali o clímax do romance lançado em 1995.

Cegos ou não, humanos aprendem que de nada adianta ter visão, se eles são incapazes de enxergar o que o outro vê. José Saramago, na apresentação do livro, diz: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." E ainda complementa: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."

Foi assim, secamente, que o autor ganhou o Nobel. O filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles levou as críticas. Eu, ao sair desta leitura e da sessão de cinema, fico constrangido de pertencer ao mundo egoísta dos que veem, mas não enxergam, escutam, mas não ouvem, caminham, mas não evoluem.

Leitura e filme recomendados para evoluir, principalmente, quando se lê este trecho: “A nossa vida durante o tempo que estivemos internados, descemos todos os degraus da indignidade,...agora não, agora somos todos iguais perante o mal e o bem, por favor não me perguntem o que é o bem e o que é o mal, sabíamo-lo de cada vez que tivemos de agir no tempo em que a cegueira era exceção, o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios...vocês não sabem o que é ter olhos num mundo de cegos. Vocês sentem, eu sinto e vejo.”

Assim é a cegueira branca. Doença contemporânea, do século XXI.  

Comentário:
Ao escrever este texto, perguntei: alguém sabe o antônimo de cego? Respostas: Zoiudo, bisbilhoteiro – aquele que vê até demais, ou visual. A mais pertinente foi vidente. Sim: aquele que vê é vidente. Mesmo que na nossa cultura, esta bela palavra tenha outro significado. 

Mais um pouco:
Para comprar mais barato: Americanas e Submarino


LinkWithin