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segunda-feira, 7 de setembro de 2015
TROCA DE CADEIRA
Você já refletiu sobre os hábitos que vamos cultivando no dia a dia e como eles podem fazer mal quando algo acontece diferente do que estava previsto? Se sim, espero que goste deste texto. Se não, desejo que esta crônica contribua para que você “saia do casulo” do comodismo, porque é isso que está me motivando neste momento, em que estou buscando algumas mudanças.
Gosto muito da história dos japoneses que vieram para o Brasil na época da liberação de terras para os estrangeiros, quando a escravidão terminou por aqui. Fico pensando na ousadia e na coragem dos imigrantes que arriscaram uma vida confortável e segura no próprio país em busca de um sonho, que nem poderia se concretizar, em um lugar desconhecido, distante e com uma geografia completamente diferente do Japão. Naquele tempo, tudo era incerto. Não havia a deusa Internet e o santo Google para ajudar na busca de informações e mesmo assim os “japas” subiram nos navios, viajaram muitos dias até avistarem a paisagem já conhecida por Cabral, onde tudo que se planta nasce. Conhecer esse momento mudou alguns rumos que tento trilhar.
Esse determinismo sempre me estimula, quando quero fazer algo diferente da minha rotina. Claro que é muito mais cômodo cumprir diariamente os mesmos trabalhos, percorrer os mesmos caminhos, conviver com quem já conhecemos os defeitos e as manias. Obviamente, isso é fácil e torna a existência mais serena. Contudo, viver assim é muito sem graça. É monótono demais. Por isso, acredito que há momentos em que é preciso dar uma sacudida nos afazeres, mudar o corte de cabelo, trocar o estilo das roupas, viajar. Tem gente também que troca de emprego, muda de cidade, termina relacionamentos. Se a atitude for positiva e nos fazer felizes, devemos encarar, mesmo que haja um pouco de dor.
Dias atrás, estava hospedado em um hotel, aproveitando as férias, quando me surpreendi criando um costume rotineiro: eu estava me sentando na mesma mesa, na mesma cadeira, na mesma posição, em todos os cafés da manhã, comendo as mesmas iguarias servidas no cardápio. No quinto dia, quando cheguei ao salão, tive que escolher outro lugar, pois o “meu trono” já estava ocupado. Aquilo me deu uma angústia momentânea, mas logo voltei para a realidade me questionando que ter aquele sentimento era uma bobagem. Sentei-me numa mesa mais afastada e tive uma surpresa, pois a cadeira era mais confortável, os garçons passavam com mais frequência, os outros hóspedes não esbarravam e era possível assistir à televisão.
Um filme passou na cabeça, sobretudo das lembranças dos territórios que demarquei ao longo dos anos que tenho de estrada pela vida. Na escola, era aquele banco, debaixo da árvore que dava sombra; no ônibus que liga Bom Despacho a Belo Horizonte, a mesma poltrona; em casa, o prato azul, o garfo com cabo de madeira, o copo de requeijão, o canto direito do sofá; na sorveteria, o sorvete era de abacaxi; para divertir, os mesmos discos; e por aí vai.
Ainda bem que me contaram a saga dos japoneses. A partir disso, passei a querer novidades. Sou ansioso para aventuras, para novas emoções, para conhecer gente, para colocar a mochila nas costas e sair descobrindo culturas. Eu prefiro estar preparado para o inusitado, ter sempre um plano “B”, e ir curtindo a rotina na medida do possível. Quando o comodismo me pega, busco inspiração na coragem dos “olhinhos puxados”. Acho que eles enxergam longe.
domingo, 27 de outubro de 2013
HISTÓRIA PARA NÃO ESQUECER QUE UM DIA FUI VÍTIMA DA CRIMINALIDADE
Há um ano, eu estava no lugar
certo, mas talvez na hora errada, passeando na Savassi, em Belo Horizonte. Uma
voadora e um soco alcançaram meu corpo, que não ficou ferido, mas a
agressividade de dois loucos atingiu minha alma. Apanhei gratuitamente de
pseudo-skinheads num dos lugares mais democráticos da capital mineira. Naquele,
dia, fui parar no hospital, na polícia, na igreja. Depois disso saí do mundo.
Do meu fantástico mundo, para viver no medo e na insegurança de andar tranquilamente
pelas ruas de qualquer cidade.
Fui forçado a amadurecer numa
madrugada, por causa da repercussão da história que estava no meu blog. Desabafei
na internet porque na escuridão do meu quarto não havia ninguém que pudesse
secar as lágrimas do meu coração. Vivi aos 32 anos de idade, a crise que não
tive nos 30. E não está sendo fácil mesmo após tanto tempo. Deixei de ser um
jovem para ler nas páginas dos jornais a frase: homem de 32 apanha na Zona Sul.
A ficha caiu: mesmo não vivendo a idade natural da minha matéria, ali entendi
que eu já não podia estar na juventude. Tive que ser um homem adulto
contrariado.
Perdi sorrisos, momentos, vivendo
enclausurado dentro da minha própria casa. A primeira vez que fui à Savassi, até
os fios de cabelos dos dedos dos pés tremeram de medo. Tive palpitação, falta
de ar, angústia, dor. Em 365 dias, só fui na região duas vezes, por motivos de obrigação
para dar um abraço em amigos aniversariantes.
O pior é a certeza da impunidade.
Já prestei depoimento na Polícia Civil, na Militar, na Guarda Municipal, no
Ministério Público, dando a mesma versão, umas doze vezes, e parece que ninguém
ouve. Eu sabia que a Justiça era cega, mas descobri que também é surda. O
processo anda lentamente. Os envolvidos continuam soltos por aí fazendo barbáries
com outros inocentes que se calam com vergonha do soco na boca, do chute na
bunda, da voadora nas costas, da pedrada na cabeça.
Às vezes, penso que devia ter me
silenciado. Escondido o sufoco de apanhar sem saber o motivo. Porém, a
solidariedade me ajudou. Até hoje recebo mensagens de carinho, de ânimo. Contudo,
fiquei com vergonha de aproveitadores da situação: queriam me usar para fazer
debates de uma causa que eu nem sabia qual era. Senti-me um mártir sem ter
morrido.
Passado um ano, o único
sentimento que tenho é medo. De olhar nos olhos, de conhecer gente e dar bom
dia, de sorrir no elevador, de oferecer a mão para uma ajuda, de estar sentado
no banco da praça lendo um livro, de pegar ônibus, metrô. Mudei. E ainda estou
em busca de uma identidade que se perdeu quando eu ouvi do meu algoz: você deve
morrer.
Escrevo hoje para ser voz de apoio aos humanos que perdem a dignidade na brutalidade de perversos merdas que vagam por aí. Contem com minha oração, pois é a fé que me reergue diariamente.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
MAIS PATRIOTISMO, MAIS ATITUDE!
As recentes manifestações pelo
Brasil instigaram o povo a sair do comodismo para lutar por alguns direitos. O
fato virou até piada: “um sujeito estava na fila de um banco, quando espirrou.
Uma senhora, bem elegante, disse: - saúde. De repente, várias vozes pipocaram com
pedidos de ordem: - transporte; emprego; menos impostos; educação...Mesmo
fazendo rir, o caso não deixa de ser interessante para fazermos uma reflexão
séria, principalmente, quando analisamos o comportamento do brasileiro.
Não quero dar lição de moral ou
parecer que sou politicamente correto, mas está na hora de aprendermos um pouco
de civilidade e de educação. Ser educado não é só saber as letras, ter cursos,
especialidades, reconhecimento profissional, representação na sociedade. Ser educado
passa primeiramente pela atitude, no cotidiano, nos pequenos afazeres, nas
ruas, com as pessoas. Educação na escola, na família, no meio ambiente.
Tenho um amigo, Bernie, que é
neozelandês, e mora há um tempo no Brasil. Veio ganhar a vida aqui com turismo,
vendendo pacotes para quem quer conhecer a Oceania e também para jovens que
desejam fazer intercâmbio escolar na Nova Zelândia. Ele faz ainda a
intermediação com as empresas que precisam de pessoas para trabalhar nas
colheitas de frutas locais, como o kiwi. Ao divulgar a cultura de seu país,
Bernie me deu uma pequena lição de cidadania e de patriotismo, que deve servir
para todos que amam e valorizam a sua gênese: a pátria, a terra, a cidade.
Durante um passeio com meu amigo,
eu mascava um chiclete insistentemente durante horas. E pelas circunstâncias,
não conseguia descartá-lo. Não havia lixo, papel para embolar a goma e guardar
no bolso; engolir nem pensar. Apelei e joguei a bolinha rosa no chão. Bernie me
advertiu na hora: - não faça isso com o seu país, não suje seu lar, sua casa, o
lugar onde mora, para que tenha isso tudo (apontando para a paisagem) até o
futuro. Fiquei constrangido, afinal não tenho este hábito. E fico triste ao ver
cenas corriqueiras nas ruas que desrespeitam o patrimônio público, as pessoas,
as calçadas, o espaço coletivo, e que provocam consequências ruins para todos.
Não gosto de cigarro e, por isso, sempre me incomodou os fumantes que descartam
suas guimbas nas ruas. Poluem o ar e ainda fazem uma montanha de lixo com tão
pequeno pedaço de material poluente.
O alerta de Bernie se tornou
minha filosofia de vida. E gostaria de propagá-la, já que é nos simples gestos
que mudamos uma nação. Cuidar de si é cuidar daquilo que é também daqueles com
quem convivemos e daqueles que desconhecemos. Vivemos em rede, em cadeia,
dependentes das ações, sobretudo as positivas, do nosso vizinho, dos colegas de
trabalho, dos que moram longe, na nascente de um rio que abastece a nossa caixa
d’água. Imagine se lá no início, onde brota a seiva da vida, corresse um
esgoto? Beberíamos o quê? Por isso, devemos praticar rotineiramente o que é bom
para os outros também. Assim nos ajudamos.
Unidos em multidões, gritamos,
pedimos, exigimos mudanças, em prol do coletivo. Só que isso é pouco. A passagem de ônibus baixou. Que bom! Porém,
a mudança deve ser mais consciente: a placa disse não pise, então não pise; a
lei multou, você estava errado, não use o jeitinho brasileiro para enganar o
policial; se não é para usar flash ao fotografar, por favor, não insista em
fazer o contrário; seu cachorro fez cocô na rua, limpe; sua guimba e seu
chiclete devem ir para o lixo e não grudar no meu tênis; o lixo deve ser
separado para ser reciclado; e a reflexão sobre as melhorias cotidianas, deve
se tornar um dever e um direito a serem exercidos e cumpridos, para vivermos em
harmonia e na paz.
domingo, 27 de janeiro de 2013
QUEM VAI PAGAR A CONTA?
Dói ler uma notícia de
tragédia, mesmo estando acostumado a cobri-las jornalisticamente todos os dias.
Coração murcha e chora com as perdas de Santa Maria. Mas chora muito mais ao
pensar nos problemas em que todas as casas de shows têm com a falta de
compromisso com a segurança dos frequentadores.
Dói ler uma barbaridade
escrita na internet dizendo que não aconteceria acidente se os jovens estivessem
na igreja...Regras de segurança são válidas para todos os espaços onde se
concentram pessoas: clubes esportivos, boates, igrejas, parques, teatros,
cinemas e até onde menos se pensa, que é no prédio em que moramos. Pago
anualmente uma taxa de seguro contra incêndio e hoje me dei conta que não há
extintor no edifício que chamo de lar. E Deus estaria com seus filhos em qual quer lugar para protegê-los. A culpa
não é Dele, seus idiotas que escrevem bobagens nas redes sociais.
Dói ler nas manchetes
que as pessoas morreram em Santa Maria por uma série de erros, principalmente,
por causa da truculência e despreparo de seguranças que impediram a saída delas
antes do pagamento das comandas. Sinceramente, esta burrice profissional me
assusta e me dá nos nervos. Até brinco com uma mensagem preconceituosa ao dizer
que não devemos dar um rádio para o porteiro porque ele se sente o síndico. Ou
seja, é tanto poder para nada. Cadeia neles.
Onde estavam a brigada
de incêndio, o bombeiro civil, a fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente?
Cobrar isso neste momento é mostrar a ineficiência das nossas autoridades, porém
isso não deveria ser cobrança e sim regra básica exigida pelo poder público e,
sobretudo, por todo cidadão.
E agora quem vai pagar
a conta da dor destes jovens que eram o futuro deste país que parece ser
gerenciado pelos cocos? Só sei que a culpa é nossa, que estamos acostumados a
dar um jeitinho sempre. Nem tento pensar na angústia dos pais, dos parentes,
dos amigos, porque perder alguém é ruim em qualquer motivo. Só que não dá para
não cobrar: cadê os comissários da infância e da juventude que não estavam ali
na boate impedindo que menores de 18 anos entrassem na casa? Eles também
deveriam ser responsabilizados judicialmente. E os pais que deixaram seus
filhos saírem de casa para um lugar impróprio? A maior parte das vítimas tem
entre 16 e 20 anos de idade. Por isso, dói ver uma mãe na porta do IML
lamentando sua perda e se culpando por um erro que parece bobo. Ninguém vai
pagar esta conta pra ela.
Ficar escrevendo aqui
minhas lamentações só servirá para reflexão mesmo. E de alerta para todo mundo
que sai de casa para a balada, para as festas, para os cultos, as missas, os
jogos do time do coração. Utilizo de uma mensagem do amigo Tiago Cordeiro
publicada no facebook:
“Toda vez que vamos ao cinema vemos alguma animaçãozinha
mambembe avisando que tem extintor de incêndio, porta de emergência e brigada.
A gente se acostumou a achar isso desinteressante e descartável, mas é o tipo
de coisa que você só pode exibir se faz o correto. Torna mais descarado para o
consumidor que aquele lugar se importa com o risco. É um ótimo momento para a sociedade avançar nisso porque,
infelizmente, vivemos um momento em que estamos todos com dor na consciência.”
Dói saber
que é preciso uma tragédia para que o comportamento mude. Assim estas mortes
não serão em vão. Morrem jovens heróis que nos ensinam a consertar o nosso
jeitinho brasileiro. Duro constatar que eles pagaram esta conta com a vida.
#TODOSDesejamForçasASantaMaria
#TODOSDesejamForçasASantaMaria
sábado, 24 de novembro de 2012
VICIADO EM LIVROS
Preciso desabafar!
Fazer uma sessão de terapia –
virtual pelo menos.
Alguém aí para ler a história de
um VICIADO?
Tem algo que me consome por
dentro. Muitos chamariam de doença. Outros de consumo estimulado pelo
capitalismo. Procurei definições no dicionário, no google. De brincadeira mesmo
só para escrever este desabafo psicológico. Reconheço a partir de agora que sou
um viciado. Existe uma força estranha que me leva a fazer loucuras quando entro
numa livraria. Se vejo um sebo, entro em convulsão. Se os sites fazem
descontos, perco o sono analisando todas as listas disponíveis. Sou um viciado
em livros por dois motivos: para ler um por semana e para tê-los numa imensa
biblioteca. Porém, falta-me tempo para dedicar à leitura intensa e, atualmente,
espaço para guardá-los.
(Pausa: suspiro. Este texto
nasceu após o ocorrido, conforme relato abaixo.)
Aconteceu um fato engraçado
comigo. Saindo do trabalho com uma sacola cheia de alimentos (duas latas de
suco, um pacote de arroz integral, macarrão instantâneo, um pote de mel e biscoitos)
e ainda três livros - daqueles que foram emprestados e devolvidos meses depois
e que, com certeza, não serão relidos, por pura falta de prática de repetição –
senti que seria assaltado ao ver um sujeito estranho na rua. Meu pensamento deu
uma viajada para a reação à abordagem: meu caro, por favor, leve tudo, dá pra
você comer, te dou um dinheiro, mas não leve meus livros, porque eles não serão
úteis a você.
Nada rolou. Nem assalto, nem
negociação. Exceto uma paranoia que motivou a pesquisa: nome da doença de quem
é viciado em livros.
Não encontrei respostas
concretas, apenas umas suposições interessantes:
1)
Bibliófilo – quem coleciona livros
2)
Livrólatra – dependente de livros
3)
Bookaholic – o termo em inglês para doentes com livros
4)
Nerd – quem gosta de ler demais
Não acreditei muito nisso, no
entanto, estou pensando seriamente em procurar tratamento. Na última visita que
fiz à Livraria Travessa, no Rio de Janeiro (quando vou lá gosto de ser
abençoado pelo Cristo, bater um papo com Iemanjá na praia e entrar na Travessa,
em qualquer ponto da cidade), saí com cinco livros. Em uma semana, li três,
sendo que ao longo do ano, comecei a leitura de outras sete ou doze obras, sem
prazo de término até então. Estão todos
na cabeceira da cama. E não estou com vontade de retomar nenhum, porque já
quero comprar um exemplar indicado numa resenha que li por aí.
Minha ânsia foi ampliada ao ver,
numa revista, a imagem de milhões de livros amontoados formando uma estrutura
de casa. É essa a ideia de arquitetos holandeses que criaram na pequena cidade
de Spijkenisse, Holanda, uma biblioteca em formato de montanha de livros. No
local, funciona um café e uma área de leitura protegidos por uma pirâmide de
vidro, que garante a luminosidade para os leitores e é o principal atrativo
para revitalizar o centro da cidade. Desejei muito ter algo parecido. Meus
livros estão assim...empilhados pela casa.
Estou melhor. Coloquei pra fora
este sentimento.
Vou ali ler. E desfazer um
preconceito. Eu devia ter dado os livros ao possível assaltante. Sem dúvidas,
eles seriam mais úteis a ele, porque eu não pretendo relê-los. E o sujeito
teria acesso a histórias que marcaram a minha vida.
O que alivia é saber que tem
gente como eu:
Viciados em livros - Facebook
Viciado em livros - Tumblr
domingo, 28 de outubro de 2012
SOFRI VIOLÊNCIA NA SAVASSI: SKINHEADS ME ATACARAM
É difícil falar daquilo que incomoda. O corpo dói pouco, mas a alma está detonada. Algumas coisas perdem a graça e, sobretudo, o sentido. Como dar significado à violência? Como explicar os motivos de tamanha crueldade? Como entender a barbárie humana, quando tudo pede paz?
Não sei o nome do que passei na madrugada de sexta-feira. As cenas aparecem quando fecho os olhos. Uma voadora no peito. Uma pedrada na cabeça. As frases de efeito: vamos exterminar você. Vou matá-lo.
Eu estava na Savassi, na região mais democrática de Belo Horizonte: ponto de encontro de emos, neogóticos, patys, playboys, fashionistas, gays, jovens, velhos, estudantes uniformizados, economistas, e uma minoria – os que abominam tudo isso – os skinheads. Dois deles me atacaram. Não me esqueço da careca, das tatuagens, dos olhos endemoninhados, do ódio.
O motivo aparente: abracei um amigo dizendo boa noite, após nos divertirmos no show do Kid Abelha. Estávamos felizes, brincando, falando amenidades. Parados na avenida mais movimentada, iluminada e protegida – Cristóvão Colombo, debaixo da vigilância da Guarda Municipal. Sangrando, desesperados, pedimos ajuda e ouvimos: - não podemos fazer nada. Ligue para o 190. Os agressores rindo a poucos metros. As testemunhas silenciosas. Ninguém fez nada. O atendente sugere que devíamos ir diretamente ao hospital. A ocorrência ficaria a cargo da polícia que fica instalada no Pronto Socorro do João 23. Ele dormia. Acordado de seu sono dos deuses: não posso fazer nada. Para fazer ocorrência você deve ir à Seccional da Rua Carangola.
Meu amigo ganhou uma cicatriz na cabeça de uns sete pontos. Vai carregar esta marca sempre que passar na esquina da Cristóvão Colombo com Antônio de Albuquerque. Nossa alma se desmanchou. Chorei, pedi ajuda, desabafei nas redes sociais. Quem devia me dar segurança, me humilhava com um jogo de empurra. Meu problema, não era compromisso de ninguém. Entendi que a culpa foi minha por ser simpático. Agradável e educado. Era uma despedida.
Senti que foi uma despedida de uns valores que acredito como cristão: não dá pra perdoar tudo. Perdoo o sujeito que não possui amor ao próximo, mas não perdoo a violência. A agressão, o ódio. Jamais perdoarei quem me bateu. Jamais esquecerei o descaso das forças de segurança, as quais eu pago diariamente com meu suor de trabalhador. Minha integridade foi machucada. Meu direito constitucional foi rasgado no momento que precisei dele especialmente.
Mesmo sendo esclarecido, percebi que nada adianta quando você é a vítima. Como vou reconhecer duas faces para colocar na cadeia, se eles estão soltos aos montes pelas ruas de uma capital considerada “amiga”? Eles devem estar felizes agora contando numa roda, enaltecendo os golpes, os palavrões, os agredidos – devem estar cuspindo no chão, arrotando, vomitando mentiras como batemos em cinco magrelos que precisavam de um corretivo. Eles batem muito mesmo. Atingiram um único golpe na minha dignidade.
Relutei em dividir esta história. A coragem foi dada pelos amigos. E ao escutar uma das minhas músicas prediletas (Proud – Heather Small), senti meu coração dizer que o mundo precisa saber que a violência cruel está nas nossas ruas. Crueldade máxima. Sou orgulhoso do que sou, do que faço, das minhas conquistas, das minhas opiniões, do desejo de mudar este cenário. E peço que todos tenham cuidado por onde andam, em quem confiam. O mundo de rosas existe, mas as minhas pétalas estão despedaçadas até a próxima primavera.
Proud – Heather Small
Esta música é tema da série Queer as Folk e aparece no episódio final quando dois amigos vão reconciliar suas diferenças. Esta série me ensinou a ser homem. Com H bem maiúsculo. Homem do bem, do respeito, da paz, do amor.
I
look into the window of my mind
Reflections
of the fears I know I've left behind
I
step out of the ordinary
I
can feel my soul ascending
I
am on my way
Can't
stop me now
And
you can do the same
What
have you done today to make you feel proud?
It's
never too late to try
What
have you done today to make you feel proud?
You
could be so many people
If
you make that break for freedom
What
have you done today to make you feel proud?
Still
so many answers I don't know
Realise
that to question is how we grow
So
I step out of the ordinary
I
can feel my soul ascending
I
am on my way
Can't
stop me now
And
you can do the same
What
have you done today to make you feel proud?
It's
never too late to try
What
have you done today to make you feel proud?
You
could be so many people
If
you make that break for freedom
What
have you done today to make you feel proud?
We
need a change
Do
it today
I
can feel my spirit rising
We
need a change
So
do it today
'Cause
I can see a clear horizon
What
have you done today to make you feel proud?
So
what have you done today to make you feel proud?
'Cause
you could be so many people
If
you make that break for freedom
So
what have you done today to make you feel proud?
What
have you done today to make you feel proud?
What
have you done today
You
could be so many people?
Just
make that break for freedom
|
Eu examino a janela da minha mente.
Reflexões dos medos que sei que deixei para trás.
Então estou saindo do normal.
Posso sentir minha alma subindo.
Eu estou no meu caminho.
Não posso parar agora
E você pode fazer o mesmo, sim.
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Nunca é tarde demais para tentar.
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Você poderia ser tantas pessoas,
se apenas fugisse para a liberdade.
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Ainda há tantas respostas que não sei.
Perceba que questionar, é como nós crescemos.
Então estou saindo do normal.
Posso sentir minha alma subindo.
Eu estou no meu caminho.
Não posso parar agora
E você pode fazer o mesmo, sim.
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Nunca é tarde demais para tentar.
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Você poderia ser tantas pessoas,
Se apenas fugisse para a liberdade.
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Precisamos de uma mudança.
Faça-o hoje.
Posso sentir meu espírito se erguendo.
Precisamos de uma mudança.
Faça-o hoje.
Porque posso ver um horizonte nítido.
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Então o que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
Você poderia ser tantas pessoas,
se apenas fugisse para a liberdade.
Então o que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
O que você tem feito hoje para se sentir
orgulhoso?
O que você tem feito hoje.
Você
poderia ser tantas pessoas
Se apenas fugisse para a liberdade.
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domingo, 21 de outubro de 2012
RECOMENDO O CURTA-METRAGEM CAFÉ COM LEITE
Nesta manhã de domingo, início do
horário de verão de 2012, minha cabeça ferve de ideias e emoções por causa
desta mudança das horas. Após publicar uma resenha do livro Entre Irmãos,
comecei a responder mensagens recebidas no facebook, quando ganho um presente: RaulRichard me indica um curta que narra a história de um casal de namorados que
precisa repensar a vida depois da morte dos pais de um deles, já que nesta relação,
há ainda o irmão mais novo, que também ficou órfão.
Difícil descrever o que senti. Chorei,
confesso. Deu saudade de casa, da Natália, do Douglas, meus irmãos de sangue. Deu
saudade dos meus amigos-irmãos. Este domingo é de solidão. Sem dor, sem
tristeza. Pelo contrário, de muita alegria em ter a certeza de que eles estão
por perto. Dá alívio pensar, o quanto sou amado.
Diferentemente da história de
Fernando e seu irmão Maurício, relatada no livro que cito no primeiro parágrafo
e também no post abaixo deste blog - eles tinham ódio um do outro -, Danilo e
Lucas, personagens deste curta, se descobrem no cotidiano. Aprendem o amor de
irmãos, aprendem a viver sozinhos.
Nem vou ficar detalhando muito.
Melhor você assistir e tirar as próprias conclusões.
Sinopse
Danilo estava prestes a sair de
casa para ir morar com seu namorado, Marcos, quando seus pais morrem num
acidente. Seus planos para o futuro mudam quando ele se torna responsável pelo
irmão caçula, Lucas. Novos laços são criados entre estes três jovens garotos.
Enquanto os irmãos Danilo e Lucas precisam descobrir tudo que não sabiam um
sobre o outro, Marcos tenta encontrar seu lugar naquela nova relação familiar.
Entre vídeo-games e copos de leite, dor e decepção, eles precisam aprender a
viver juntos.
sábado, 20 de outubro de 2012
ENTRE IRMÃOS: INTRIGA SEXUAL EM NOME DO AMOR
Algumas histórias instigam à
leitura desde o trecho escrito na orelha do livro. Uma capa elaborada, o comentário
na contracapa. Normalmente, escolhe-se uma obra assim, por estes motivos. Ou muitas
vezes pela fama do autor. No caso de Entre Irmãos, de Rafael Farias Teixeira,
publicado pela editora Multifoco, o enredo é o atrativo: a convivência de Maurício,
Fernando e Beatriz, irmãos diferentes, unidos pelo sangue e por segredos.
A morte de Maurício gera
conflitos e esclarece as diferenças dos personagens, cujas trajetórias de vida
são semelhantes à de uma família que encara a aceitação de um filho assumido
homossexual. O texto é vendido desta maneira, uma literatura GLS, mas não é
restritivo ao público gay, mesmo diante de alguns capítulos que mostram a
sexualidade intensa de Fernando, um jovem publicitário que sai de casa por
causa das brigas com seu irmão mais velho e com os pais.
Entre Irmãos possui uma narrativa
quase poética contemporânea, ou seja, um texto livre, frases curtas, com
versos, sem rimas, numa sequência gostosa de ler, porque estimula a
curiosidade. É um livro que mostra a aceitação e a vida de um gay, os ciúmes
dos irmãos pela preferência dos pais, os mistérios escondidos entre as paredes
do lar e, sobretudo, as nuances do amor.
Os personagens Maurício, Beatriz
e Fernando se revelam com a presença de Ricardo, um homem misterioso que
aparece na trama, no leito de morte do seu melhor amigo – Maurício. Ricardo
provoca reviravolta na vida dos três.
Contudo, é uma frase de Maurício,
que dá o detalhe para esta intriga: como narrador, ele conta que “essa é a história
do que acontece com minha morte e depois dela. Essa é uma história de irmãos. E
minha participação é bem maior do que parece”. Isso é o clímax.
Só que em alguns momentos, a leitura excita. Denota pensamentos eróticos. Porém, isso é um mero jogo de palavras para levar o leitor à reflexão. Quando Fernando descreve o que pensa sobre o amor ele revela sua fragilidade, mesmo fingindo que agüenta a situação do ser gay, sendo um touro indomável e forte, e tendo que enfrentar o preconceito dentro de casa, na rua, dele próprio.
Destacam-se estas palavras: “As
pessoas sempre planejam amar. Mas, quando o amor realmente chega, ninguém tem
muita ideia de quais serão seus planos. Eu sempre presumi que eu precisava me
apaixonar desesperadamente de todas as pessoas com quem criei algum tipo de
relacionamento. Eu precisava amar porque não seria justo ficar com uma pessoa
sem o fazer...Eu tenho estas imagens de como deveria ser ter um grande amor, um
grande e único amor que faria todas aquelas princesas sossas da Disney morrerem
de inveja...Amor não foi feito para pessoas como eu, porque simplesmente tudo não
passa de ideias perfeitas que sobrevivem de tramas elaboradas demais, da nossa
própria imaginação, e fora, no mundo real, murcham, contraem-se e gritam
estridentes até desaparecerem deixando mágoas.”
Este livro desnuda o amor. E que
ele mata. Provoca a morte, quando não se está preparado para o sentimento mais
nobre do humano. Amor não é apenas final feliz de novela. Entre Irmãos é
revelador, cheio de lágrimas, de tristeza, no entanto, traz esperança para
aqueles que estão em busca de paz. Na vida, na casa, no pensamento, no amor. Leitura
sem diversidade sexual. Conto para virar filme.
O autor
Rafael Farias Teixeira nasceu em
Salvador, na Bahia, em 1986. Jornalista, já escreveu para as revistas Galileu,
Época São Paulo e Pequenas Empresas & Grandes Negócios. “Entre Irmãos” é o
seu primeiro romance publicado, que também está no facebook.
domingo, 16 de setembro de 2012
EU SÓ QUERIA UM SUNDAE DE CHOCOLATE COM CALDA DE MORANGO DO McDONALD'S
Gosto de misturas exóticas, sabores diferentes do paladar tradicional da comida mineira, mas nem por isso me considero um sujeito esquisito ou anormal. Mas é assim que me sinto quando faço alguns pedidos nos restaurantes. No trailer de sanduíche, meus amigos pedem refrigerante, eu opto pelo suco de uva ou pêssego. A pizza é a moda, eu gosto mais de rúcula, tomate seco e muçarela de búfala ou vegetariana – desde que tenha palmito. Muitos querem fazer compras em Nova Iorque. Eu prefiro viajar pelo inusitado da Tailândia. E a maioria acha que eu sou estranho…Será mesmo? Ou as pessoas estão tão alienadas, manipuladas, exageradas, virtualizadas, que se esquecem das diferenças individuais?
Estranho é chegar ao Mcdonald’s e pedir sundae de chocolate com calda de morango. Sabores da minha alta predileção: o amargo/doce do resultado do fruto do cacau com o azedo/suculento fruto originário da Europa. É a combinação perfeita para uma sobremesa. Bolo de chocolate com morangos de enfeite. Pavê de morango recheado de morangos. Bombom de morango inteiro, coberto levemente com chocolate amargo. E, claro, sundae de chocolate com calda de morango.
São tantas receitas que nem Ana Maria Braga consegue fazer em mil anos de programa matinal na TV. TODO MUNDO COME ESTA COMBINAÇÃO!
Porém, a gente passa vergonha sem precisar, e é tratado como um ser diferente por assumir que gosta de algo tão comum. Muitas vezes, já fiquei constrangido de fazer o pedido na rede americana de sanduíches. As atendentes me olham espantadas, como se eu fosse o próprio E.T. de Spielberg pedindo pra voltar pra casa: por favor, um sundae de chocolate com calda de morango. Eu só vejo a condenação nos olhos abaixo dos bonés do uniforme, quando elas soltam a interjeição de espanto: ahn?
Recentemente, fui quase expulso do Mcdonald’s da Rua Rio de Janeiro, no Centro de BH. Eu fiz o mesmo pedido que faço em lojas de todo o Brasil e também de alguns lugares que já visitei na América Latina e na Europa: please, a chocolate sundae with strawberry. A menina falou alto: a combinação padrão é baunilha e morango. Eu disse, mas eu quero outra, PODE SER? Eu gosto da segunda opção...E ela ainda insistia: a promoção de R$ 3,50 é baunilha e morango. E eu, irritado, depois de explicar 10 minutos e ficar vermelho com uma fila atrás de mim olhando a desagradável cena: eu falei em promoção algum instante, fulana? Eu só estou pedindo um sundae de chocolate com calda de morango. Aqui a gente não faz...Ela não fazia, porque o quiosque do sorvete que tem o balcão voltado para a rua informou que bastava eu pagar mais R$0,50.
Padrão é padrão. E se existe um modelo, ele deve ser seguido no mundo inteiro. Este é o conceito das multinacionais que estão espalhadas pelo globo. E nem sou contra o imperialismo da marcas, como julgam os fanáticos patriotas nacionalistas. Até porque nem sempre é encorajador comer um churrasco de escorpião.
Não tomei o sorvete. Saí de cena no personagem que faz o tipo envergonhado e irritado. Nem um brinde me acalmaria, já que nem o gerente, que nunca deve ter entrado no quadro do empregado do mês, conseguiu resolver um simples dilema para o consumidor assíduo do fast food. Ignorou-me, virou as costas e me devolveu quatro moedas como se elas fossem esmola.
Atendimento nota zero. E ainda sou obrigado a ler o slogan ao sair da loja: amo muito tudo isso. Estou deixando de amar.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
UNIFORMES: MINHA CANÇÃO PREFERIDA
Kid Abelha em 1983 / Foto: Site Anos 80
Na busca de identidade, as pessoas se transformam em personagens criados pela imaginação ou pelos estereótipos sociais, mas também naqueles arquitetados por tribos incomuns como os emos, neogóticos, punks, hipsters...Sempre há um jeito de se enquadrar num modelo. Basta vestir a farda e sair batendo continência na rua.
Nestes dias, ouvi um comentário sarcástico: veste de preto, pinta a boca com o batom mais escuro, coloca correntes pelo corpo, esfumaça o olho para encontrar com a turma na Praça da Savassi (local conhecido na capital mineira, onde jovens freqüentam com seus coturnos, calças e camisas de roqueiros e acessórios espalhados pelo corpo), mas quando chega em casa, veste o pijama de moletom, toma sopa feita pela mamãe e assiste à novela das nove. Ou seja, a casca desmancha e o personagem volta a ser um sujeito normal.
Desde adolescente, quando me apaixonei pelo Kid Abelha, apesar de gostar de várias músicas, eu escolhi uma que me identificasse no meio da multidão. Eu era diferente dos meus amigos, dos padrões da minha família, dos conceitos católicos pregados na pequena Bom Despacho, da vida daqueles que me cercavam. Sempre soube que minha identidade era diferente. Contudo, para me enquadrar e ser aceito socialmente, eu me tornei um personagem adequado às normas.
Menino da igreja, como fui conhecido após organizar a missa das 19 horas de domingo durante 10 anos...Rebelde sem causa, ao andar vestido de preto dos pés a cabeça, acompanhando banda de baile pelas cidades vizinhas...Aluno nota 10, ao tirar boas notas na escola...e tantos outros, que somente atores experientes podem interpretar. Sim, é isso mesmo, em cada momento, eu vestia uniformes. De estudante, de atleta do vôlei, da natação, do handebol, de cristão, de escoteiro, de funcionário da escola de inglês, de garçom do bar do meu pai, do engomadinho filhinho de mamãe...são tantos. Ah! Como são.
Talvez por isso a minha música predileta do Kid Abelha se chame UNIFORMES, a faixa nove, do disco Educação Sentimental, lançado em 1985, o segundo disco do trio. De composição do ex-Kid, Leoni, e de Léo Jaime, a canção fez muito sucesso, mas depois que Leoni se separou da banda e de Paula Toller, Uniformes saiu do repertório e das coletâneas. Não sei o motivo real da exclusão da música, no entanto, percebemos que os dois “trocaram elogios” em inúmeras letras, assim como o ex-casal de cantores da Era do Rádio, Dalva de Oliveira e Herilvelto Martins, fizeram no passado. Leoni pode ter pedido a guarda da filha e ganhou. O certo que Paula não canta mais, só nos discos.
A letra diz tudo o que penso sobre mim, o que sou, meu caráter, minha formação. Brinco que se alguém quiser me conhecer, basta interpretar os versos da melodia. Sou assim: um sujeito que se veste de diferentes formas, que ouve os mesmos discos, que lê livros que poucos sabem que existem, que possui heróis incomuns.
E se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais. (trecho de Esotérico, de Gilberto Gil, música também interpretada pelo Kid Abelha). E eu sou feito à semelhança Dele. Este é meu melhor personagem. O meu mais adequado uniforme.
A letra está aqui:
Eu ouço sempre os mesmos discos/ Repenso as mesmas idéias / O mundo é muito simples / Bobagens não me afligem / Você se cansa do meu modelo /Mas juro, eu não tenho culpa /Eu sou mais um no bando /Repito o que eu escuto /E eu não te entendo bem /E quantos uniformes ainda vou usar /E quantas frases feitas vão me explicar /Será que um dia a gente vai se encontrar /Quando os soldados tiram a farda pra brincar /A minha dança, o meu estilo /E pouco mais me importa /Eu limpo as minhas botas /Não sou ninguém sem elas/ Você se espanta com o meu cabelo/ É que eu saí de outra história/ Os heróis na minha blusa/ Não são os que você usa/ E eu não te entendo bem
Ouça aqui!
sexta-feira, 23 de março de 2012
MINHA LOUCURA É SAUDÁVEL
Nesta data, falei na sala de aula sobre inspiração. Como encontrá-la para escrever bons textos, artigos opinativos, buscar a realização de sonhos. Meus alunos piraram. Rsrsrsrs . Expliquei que inspiração vem das experiências do cotidiano: daquilo que vemos, ouvimos, lemos, pesquisamos, anotamos. Dos erros e dos acertos.
2012 é o ano do surto, das transformações, das mudanças profundas no mundo, que tem data para acabar como informam as profecias maias. Os noticiários já mostram estes casos: suicídios, ataques terroristas, assassinatos, pais matando filhos, estudantes em fúria...Acredito que o mundo vai realmente acabar, mas para algumas pessoas que não se prepararem para uma ordem mundial mais gentil.
Tem gente que está ficando louca. E li no twitter frases que me ajudaram a inspirar este texto, logo depois de conversar com um amigo que vive um conflito amoroso. Ele está sozinho, muito a fim de namorar e, num dia aí, tirou a barriga da miséria. Ouviu promessas de compromisso sério, de namoro próspero, teve uma transa intensa, após um café romântico. E recebeu uma mensagem no dia seguinte. Oh glória! Atualmente, receber um SMS é quase como ganhar um buquê de flores um dia depois do primeiro encontro. Poderia ser uma história diferente. Porém está caminhando para o mesmo rumo de todas as outras: foi apenas uma noite. E este é apenas um exemplo para ilustrar esta prosa, porque na mesa da pizzaria quatro amigos reclamaram do mesmo dilema.
Discutimos a questão: as pessoas reclamam da solidão, da carência de ter alguém sério, de seres resolvidos, inteligentes, independentes financeiramente, cultos, viajados, descolados e tantos vários atributos que se colocam nas exigências. É muita reclamação e pouca tolerância, quase nenhuma entrega. Muito joguinho, pouca ação. Pouca gentileza ao esperar o tempo dizer da paixão que irá nascer. Do amor, que vai acontecer quando o sentimento é recíproco. “Parem o mundo que quero descer”, disse algum poeta sábio que já previa que em 2012, muita loucura iria surgir. “Tá todo mundo louco, oba!!!”
Cheguei em casa e refleti: o que querem algumas pessoas? Por que elas se entregam a “noivados” que duram uma gozada? Por que cometer este erro com seu corpo? Não tenho bons argumentos para decifrar tais mistérios, no entanto, amigos virtuais trouxeram as respostas em 140 caracteres.
@NataliaBarros escreveu: cansada de gente que não sabe o que quer da vida. Também estou Natália. Quanta complicação para viver tantas coisas simples. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”. Se for a felicidade que se busca, porque não se permitir a ela? O perfil @DocesVersos deu a solução: Às vezes, você precisa engolir o seu orgulho e correr atrás de quem você ama. E logo depois emendou mais um tweet: O tempo passa, algumas pessoas vêm, outras vão, mas a vida continua e você não pode ficar parado. Pensamentos complementares e tão contraditórios. Aceitavelmente a vida é assim, cheia de atinos e desatinos.
Não é mesmo, meus amigos solitários?
O comunicador @Tinojunior publicou a comparação que pode nos ajudar: segunda = depressão / terça = solidão/ quarta = tristeza/ quinta = expectativa/ sexta = alegria/ sábado = alívio/ domingo = desespero. O que eu completo: nunca se pode esperar algo de uma segunda-feira, pois desde a noite anterior, você já tomou uma decisão: recomeçar? Tentar novamente? Correr atrás do amor?
Não há melhor resposta para tudo isso do esta frase que está em uma imagem publicada no facebook do bailarino Geanderson: Se houver 1% de chance, vale a pena lutar. Perguntei a ele: será? E em três segundos, Gê disse: prefiro acreditar que sim.
Esta assertividade me instigou e motivou a dizer a todos que vale a pena enfrentar esta loucura do mundo para encontrar seres normais. E a chance de conquistar um sonho e realizá-lo. Vamos lutar? Vamos nos afastar dos loucos? Ou vamos ser loucos também? Surtar ou acalmar? Conclua você mesmo. Só espero que sejamos mais gentis – conosco e com os outros.
Quem sabe esta inspiração sirva como motivo para acertamos mais nas nossas escolhas? O que acha Jefferson Rodrigues? Na madrugada, ele contribuiu com uma mensagem atribuída a Caio Fernando Abreu e que será a conclusão desta narrativa: querido coração, apaixone-se quando estiver pronto. Não quando estiver solitário...
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
PENSO, LOGO PRECISO LIMPAR AS GAVETAS
De.le.tar – (informática): eliminar, apagar, suprimir, remover, excluir.
O verbo deletar entrou na língua portuguesa de atrevido que é. Apareceu ali no cantinho do teclado, humilde, porém, às vezes, mais crescidinho...coisas de design. Mas entrou para nunca mais sair do vocabulário do brasileiro.
Sinônimo fácil para o que ele se propõe, virou uma palavra traiçoeira. A moda agora é deletar. Apagar as pessoas do Facebook, do MSN, do Twitter. Do coração, da mente, da vida. Até música ele já ganhou: "eu vou te deletar, te excluir do meu orkut.."
Deletar algumas coisas seria muito tranquilo se para tudo existisse esta tecla. Não gostou do pão, deleta. Odiou a balada, deleta. Detestou ficar com esta pessoa, deleta. Apaixonou, deu errado, deleta. Difícil seria tanta lixeira, para tanto desgosto. Nem a coleta seletiva iria dar conta de tanto trabalho perdido.
A dúvida é: para onde vão tanta informação, tanto desejo, tantos encontros e desencontros? Deletar, mole. No entanto, tudo tem consequência.
Seria possível deletar aqueles momentos fotográficos que ficam arquivados no cérebro? Aqueles instantes que temos na intimidade, desejos secretos? E fazer desaparecer o cheiro do perfume marcante? Os momentos de carinho? As conversas da madrugada? Aquilo que marcou, mas que se foi.
Quando se aperta a tecla DEL nas redes sociais, tudo isso vai embora junto? Infelizmente, não. Seria menos humano, mas seria mais útil, conforme conclusão de quem prefere limpar a caixa de entrada a deixar resquícios nos rascunhos.
Seria interessante deletar algumas pessoas. Apagar alguns sentimentos. Talvez, uns pensamentos. Aqueles que sempre retornam nas noites de insônia, quando sozinhos desejamos retomar o passado. Ou fantasiar histórias criadas pela imaginação como se fosse uma novela real. E acreditar que no futuro elas possam ser materializadas em corpo, em alma.
Ah, vida! A melancolia faz parte do cotidiano de quem pensa. Já dizia Descartes, o filósofo francês de nome René: Penso, logo existo. E estar é ter estes momentos de reflexão, de melancolia, que é muito diferente da tristeza. Mas, muitas vezes, pensar demais leva ao fundo do poço. Mais tranquilo então, usar a tecla delete.
Em alguns casos mais graves, o correto para o homem quase máquina, deveria ser a tecla formatar. Limpar para encher novamente. De esperança, de felicidade, de amor. De paz.
domingo, 13 de novembro de 2011
QUAL O SEGREDO DA FELICIDADE?
Serra do Cipó - caminho para descansar e refletir
Quais são os motivos para se acordar às seis da manhã, sair de casa, enfrentar um embate diário com o trânsito movimentado e ainda depois trabalhar, normalmente, oito horas, durante uma semana, ao longo de um ano inteiro, fazer o percurso de volta e, já cansado, se a paciência não estiver esgotada, dar uma “esticada” ao cinema ou ao bar para relaxar? Sem pensar muito, a resposta mais simples seria: para sobreviver. Mas, mais do que isto, o que move o ser humano para a corrida maluca da vida é um sentimento que todos, de alguma maneira, já têm, ou tiveram. Infelizmente, não é simples vivê-lo e senti-lo. É necessário, primeiro, começar a percebê-lo nas pequenas realizações do dia-a-dia. É uma busca incessante como escreveu o filósofo Aristóteles, no século IV a.C., ao postular que a maior meta do homem é a felicidade. E ela é para o corpo o mesmo que o sol representa para as plantas. É o combustível que nutre do nascer ao findar do dia.
Especialistas, escritores e charlatães tentam descobrir o segredo há décadas, e ainda não há um consenso sobre a definição do que seja felicidade. Prefiro dizer que ela se resume a momentos de emoção, a instantes de cada vitória, a segundos de uma luta vencida e a todos os prazeres simples, que somente Deus, em sua complexidade, pode ofertar. Tudo isso é ofertado. Estas dádivas são dadas ao homem em cada segundo do dia. Entretanto, passa despercebido. Como não ficar feliz com o bom dia cantado pelo bem-te-vi genuinamente brasileiro que, no despertar da manhã, assobia suas canções nas antenas das cidades? O pássaro incomoda muito vizinho mal-humorado, mas é bom saber que ainda são compostas músicas de qualidade, e que não foram copiadas, para embalar o ritmo do banho matinal de quem se prepara para a labuta.
Depois do café preto tomado, esfumaçante, com cheiro de fazenda e um pão francês dormido para forrar o estômago, é possível encontrar com a experiência de senhores e senhoras sorridentes no ponto de ônibus, despreocupados com o passar lento das horas e com os atrasos corriqueiros, como se o tempo fosse um aliado da vida e não o vilão da história que deverá ser narrada ao chefe.
Também encanta a variedade de cores, de combinações, de sabores e de formas que constituem os alimentos. Em sua criatividade, a artista Pandora lembrou-se de todos os pormenores e modelou cada pedaço do paraíso. É uma pena que, nos almoços-relâmpagos, a desordem do tempo não permite que a degustação entre em sintonia com os outros sentidos humanos. Mas nas noites iluminadas pela solitária e bela lua cheia, não se pode esquecer com que intensidade o cozinheiro prepara um jantar para si mesmo. Panelas e colheres sujas pela pia, o molho derramado decorando o piso branco da cozinha, o cheiro de gordura no cabelo. Tudo, para que, no fim, em um prato fundo de ferro batido, o macarrão instantâneo se espalhe suavemente sob a alquimia do tomate, do óleo e do sal. E ao enfeitar o lanche rápido com um ramo de salsa, a sensação de ter dado a última pincelada na maior obra de arte realizada na contemporaneidade, é algo inexplicável. Não há leilão que pague o preço.
Como não ficar satisfeito com o pouco tempo que falta para a hora da chegada de uma visita? O prazer da expectativa de receber uma pessoa em casa por si só já é benéfico, antes mesmo do toque da campainha. O escritor Saint-Exupéry ensinou ao Pequeno Príncipe que se um amigo avisa que vem às quatro horas, desde as três horas ele pode se preparar para ser feliz. O livro, escrito para crianças, mas adorado pelos adultos, também é sinônimo de que a mudança se faz com detalhes. E pequenos gestos fazem a diferença para a felicidade de quem se delicia com a própria existência. Transformar atos, gostos, pensamentos e tudo o que incomoda em momentos de alegria pode ser difícil, mas não é impossível.
Basta que cada um, no filme de sua vida, faça do drama uma comédia, da tragédia um romance, do inusitado um musical. Por exemplo, os calvos devem ficar felizes com suas carecas, pois além de as mulheres gostarem mais deles, não precisam gastar fortunas com pentes de tartaruga e com xampus de algas marinhas. Os ambientalistas agradecem o apoio e ao Greenpeace resta apenas se preocupar com a salvação das baleias. Talvez “role um clima” e muita gente desencalhe. Os encalhados, que reclamam da solidão e invejam os bígamos, podem viver com a convicção de que nunca terão duas sogras, e o sambista, que não perde as oportunidades, pode fazer desta história um conto de carnaval.
A felicidade não se compra, não está no futuro, não se encontra na casa dos outros. O sentimento se realiza na união de prazeres mínimos. No casamento da realidade com a simplicidade. Para começar, é preciso exercitar cada um dia um pouco até o corpo e o cérebro estarem em sintonia. De acordo com os manuais de auto-ajuda, a repetição reforça aquilo o que se acabou de aprender e apressa o progresso para se alcançar o principal. Mesmo com as tristezas, as lutas e as derrotas, o objetivo é um só: ser feliz!
terça-feira, 25 de outubro de 2011
VIVA A DIFERENÇA
É para refletir. Colocar de lado preconceitos. Para pensar na sua utilidade neste mundo. Afinal, para que viemos? Para onde iremos? E qual a necessidade de seres humanos nesta bola chamada Terra? Juro que ainda é muito cedo para descobrir tantas respostas. Contudo, podemos tentar caminhos.
Li na revista Trip do mês de outubro de 2011, número 204, na última página, a frase: “Luto pela possibilidade da sutil diferença entre todos nós. O resto é a vulgaridade do igual”. Está em destaque, na linha conhecida jornalisticamente como bigode. Senti um calafrio, uma angústia, uma ânsia. Meu pensamento está ali, mas infelizmente não fui eu quem escreveu. E por isso, esta necessidade de compartilhar sábia e curta filosofia de vida.
Este trecho integra belo artigo de Ricardo Guimarães, 62 anos de idade, presidente da Thymus Branding. Um senhor que nunca ouvi falar, mas que passo a admirar pelas poucas, porém intrigantes, palavras. Ele relata porque acredita na possibilidade de dois homens ou duas mulheres serem felizes como um casal. E ainda expressa opinião sobre o porquê da diversidade. Fala de sexualidade, mas ensina uma lição moral àqueles sujeitos padronizados, que acreditam no formato pré-fabricado dos moldes impostos. Em qualquer campo político-social-cultural.
Levantar bandeiras não é muito meu objetivo. Torcer doentiamente por um time, lutar pelos direitos das crianças, dos idosos, das mulheres, dos gays, dos negros, praticar piquetes na porta da empresa, fazer carreatas por melhores condições de saúde...Valorizo quem se dispõe a esta abnegação em prol da coletividade. Contudo, sou adepto a outras formas de manifestações. Mesmo sendo favorável a estes direitos conquistados.
Sou a favor da valorização do indivíduo, que possa viver sua plenitude em um conjunto de outros indivíduos. Luto pela diversidade, porque é neste movimento das diferenças que surgem novas ideias, prazeres, leis, possibilidades. O articulista que cito acima escreve também: “eduquei meus filhos para a diversidade não porque a diversidade é uma causa nobre, mas porque acredito que a felicidade deles reside no exercício pleno da sua individualidade”. Não é lindo isso? Realmente, diversidade não é uma causa nobre. Ser diverso não é incomum, uma raridade. É normal. Ela é uma causa real, vivenciada diariamente por todo indivíduo que quer pertencer a algo.
Espero que todos entendam que o arco-íris só é bonito porque possui diversidade de cores. “Luto contra qualquer tipo de estereótipo ou preconceito que impeça a manifestação natural e espontânea do ser humano em todas as suas nuances e possibilidades”.
Reflita e aja. Saia do marasmo do comodismo. Pare de acreditar naquilo que sempre ensinaram como verdadeiro. Existem outros tesouros no horizonte.
Leia o artigo que estimulou esta opinião: http://revistatrip.uol.com.br/revista/204/colunas/viva-a-diferenca.html
sábado, 9 de julho de 2011
AUSÊNCIA
O tempo está passando depressa. As vinte e quatro horas do dia correm como se fossem minutos. Todo mundo afirma: está sem tempo. Pra tudo, no trabalho, nas amizades, pra descansar, para ler, escrever, namorar. Como diria um amigo: um frenesi.
Esta pressa exagerada em que se vivem as situações corriqueiras está afastando as pessoas, delas mesmas, dos outros, daquilo que é simples viver. É um sentimento vazio, de ficar sozinho, de ausência. De saudade.
Um aperto no coração e uma dor na consciência. Desejo de voltar ao passado e fazer diferente. Como é impossível entrar num túnel do tempo, é hora de pedir desculpas ao esquecimento, ao sumiço, à falta de telefonemas, em eventos. Está na hora de recomeçar as verdadeiras relações.
Esta ausência não será mais uma constante. Prometo. Só peço paciência para que você entenda uma fase em que estou vivendo. De mudanças. Muitas e em todos os dias, na mesma velocidade apressada do tempo.
Em breve, de volta ao que é sempre bom!
Um pouco dos outros
Recomendo um trecho do texto Você sente Ausência?, do blog de Hugo Green.
"A ausência é algo perturbador mesmo com um bom motivo a justificando, não tem como evitar o sentimento de vazio que a ausência causa. A ausência do verão que me aquece está perdida e só dou valor a ele quando o frio triste do inverno aparece. Na ausência de cores, aparece o cinza entediante. Na ausência de carinho, aparece os maus tratos. Na ausência da Família, aparecem as más companhias. Na ausência do doce, aparece o amargo."
domingo, 12 de junho de 2011
Dia D. O Dia de Ser FELIZ!
Nos pequenos gestos, Deus nos mostra a felicidade!
Expectativa. No dicionário: “aguardo de alguma coisa que pode ou vai acontecer ou se realizar. Probabilidade.” No Google, aproximadamente 28.100.000 resultados e a primeira frase da busca é: “Esperança fundada em promessas, viabilidades ou probabilidades: a expectativa de um bom negócio. Ansiedade, esperança: estar na expectativa de ser nomeado.”
Ansiedade talvez seja o melhor sinônimo. É assim que o dia D nos deixa: ansiosos. O dia em que esperamos realizar os desejos, os sonhos, os encontros, a resolução dos problemas, o surgimento das soluções. O fim da expectativa. Vive-se em função deste tão aclamado momento. E o consciente coletivo até atrai o mesmo sentimento. Ia escrever sobre minhas expectativas e a grande e sábia Danila me liga pedindo: - escreva algo sobre o dia D. Mas ela mesma publicou na internet o que conversamos:
“Acho os Dias D uma armadilha para minha felicidade. Por que tem que existir uma data especial pra eu poder presentear, demonstrar meu afeto e procurar as pessoas que gosto??? Os dias D só servem pra fazer eu me sentir inadequada. No Dia dos Namorados, não tenho namorado e me sinto carente, nos Dias dos Pais, não tenho pai e me sinto órfã, no Dia das Mães, a minha brigou comigo, e eu me senti impotente, no Dia do Natal, o Papai Noel não veio e eu fiquei frustrada. Viu só ??!! Os Dias D são uma armadilha pra nossa verdadeira felicidade!!! O mundo inteiro finge ser feliz nesses dias , enquanto as realidades demonstram outra versão.”
Tenho as mesmas impressões sobre este importante dia D. O calendário está cheio destes instantes de expectativas. Aqueles que vão acontecer com certeza, mas que vão nos deixar frustrados. Ansiosos, já que existem mais de 28 milhões de maneiras dos nossos desejos serem realizados ou não.
Estou na expectativa sempre que o sol aponta no oriente. Dá um engasgo na garganta, um aperto no peito, um frio na barriga. Uma vontade louca de quebrar as regras e fazer tudo que o coração manda. Infelizmente, esta probabilidade não funciona assim. Dependemos da reação do outro, afinal, normalmente, nossas expectativas estão projetadas nas atitudes alheias. E ainda pensamos muito no futuro e deixamos o presente no escanteio.
Ao dedilhar esta prosa, fiquei refletindo que é melhor viver o momento e deixar a esperança cuidar da expectativa do amanhã, quando o astro rei nos acordar novamente.
O dia D deve ser o agora, para concretizar a ação de alguns verbos: fazer, concluir, conquistar, alcançar, evoluir, estar, ser...dentre tantos outros. “Na minha casa sempre é dia de mandar mensagens, de reunir a família, de dizer eu te amo.”
Se você acha que pode resolver alguma expectativa minha, por favor, FAÇA! Estaremos na mesma sintonia. Sabe por quê? A partir do próximo instante em que eu abrir os olhos, só terei uma expectativa: SER FELIZ!
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