Preciso desabafar!
Fazer uma sessão de terapia –
virtual pelo menos.
Alguém aí para ler a história de
um VICIADO?
Tem algo que me consome por
dentro. Muitos chamariam de doença. Outros de consumo estimulado pelo
capitalismo. Procurei definições no dicionário, no google. De brincadeira mesmo
só para escrever este desabafo psicológico. Reconheço a partir de agora que sou
um viciado. Existe uma força estranha que me leva a fazer loucuras quando entro
numa livraria. Se vejo um sebo, entro em convulsão. Se os sites fazem
descontos, perco o sono analisando todas as listas disponíveis. Sou um viciado
em livros por dois motivos: para ler um por semana e para tê-los numa imensa
biblioteca. Porém, falta-me tempo para dedicar à leitura intensa e, atualmente,
espaço para guardá-los.
(Pausa: suspiro. Este texto
nasceu após o ocorrido, conforme relato abaixo.)
Aconteceu um fato engraçado
comigo. Saindo do trabalho com uma sacola cheia de alimentos (duas latas de
suco, um pacote de arroz integral, macarrão instantâneo, um pote de mel e biscoitos)
e ainda três livros - daqueles que foram emprestados e devolvidos meses depois
e que, com certeza, não serão relidos, por pura falta de prática de repetição –
senti que seria assaltado ao ver um sujeito estranho na rua. Meu pensamento deu
uma viajada para a reação à abordagem: meu caro, por favor, leve tudo, dá pra
você comer, te dou um dinheiro, mas não leve meus livros, porque eles não serão
úteis a você.
Nada rolou. Nem assalto, nem
negociação. Exceto uma paranoia que motivou a pesquisa: nome da doença de quem
é viciado em livros.
Não encontrei respostas
concretas, apenas umas suposições interessantes:
1)
Bibliófilo – quem coleciona livros
2)
Livrólatra – dependente de livros
3)
Bookaholic – o termo em inglês para doentes com livros
4)
Nerd – quem gosta de ler demais
Não acreditei muito nisso, no
entanto, estou pensando seriamente em procurar tratamento. Na última visita que
fiz à Livraria Travessa, no Rio de Janeiro (quando vou lá gosto de ser
abençoado pelo Cristo, bater um papo com Iemanjá na praia e entrar na Travessa,
em qualquer ponto da cidade), saí com cinco livros. Em uma semana, li três,
sendo que ao longo do ano, comecei a leitura de outras sete ou doze obras, sem
prazo de término até então. Estão todos
na cabeceira da cama. E não estou com vontade de retomar nenhum, porque já
quero comprar um exemplar indicado numa resenha que li por aí.
Minha ânsia foi ampliada ao ver,
numa revista, a imagem de milhões de livros amontoados formando uma estrutura
de casa. É essa a ideia de arquitetos holandeses que criaram na pequena cidade
de Spijkenisse, Holanda, uma biblioteca em formato de montanha de livros. No
local, funciona um café e uma área de leitura protegidos por uma pirâmide de
vidro, que garante a luminosidade para os leitores e é o principal atrativo
para revitalizar o centro da cidade. Desejei muito ter algo parecido. Meus
livros estão assim...empilhados pela casa.
Estou melhor. Coloquei pra fora
este sentimento.
Vou ali ler. E desfazer um
preconceito. Eu devia ter dado os livros ao possível assaltante. Sem dúvidas,
eles seriam mais úteis a ele, porque eu não pretendo relê-los. E o sujeito
teria acesso a histórias que marcaram a minha vida.
O que alivia é saber que tem
gente como eu:
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