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sábado, 24 de novembro de 2012

VICIADO EM LIVROS


Preciso desabafar!
Fazer uma sessão de terapia – virtual pelo menos.
Alguém aí para ler a história de um VICIADO?

Tem algo que me consome por dentro. Muitos chamariam de doença. Outros de consumo estimulado pelo capitalismo. Procurei definições no dicionário, no google. De brincadeira mesmo só para escrever este desabafo psicológico. Reconheço a partir de agora que sou um viciado. Existe uma força estranha que me leva a fazer loucuras quando entro numa livraria. Se vejo um sebo, entro em convulsão. Se os sites fazem descontos, perco o sono analisando todas as listas disponíveis. Sou um viciado em livros por dois motivos: para ler um por semana e para tê-los numa imensa biblioteca. Porém, falta-me tempo para dedicar à leitura intensa e, atualmente, espaço para guardá-los.

(Pausa: suspiro. Este texto nasceu após o ocorrido, conforme relato abaixo.)

Aconteceu um fato engraçado comigo. Saindo do trabalho com uma sacola cheia de alimentos (duas latas de suco, um pacote de arroz integral, macarrão instantâneo, um pote de mel e biscoitos) e ainda três livros - daqueles que foram emprestados e devolvidos meses depois e que, com certeza, não serão relidos, por pura falta de prática de repetição – senti que seria assaltado ao ver um sujeito estranho na rua. Meu pensamento deu uma viajada para a reação à abordagem: meu caro, por favor, leve tudo, dá pra você comer, te dou um dinheiro, mas não leve meus livros, porque eles não serão úteis a você.

                                                          Livros que prometi ler em 2012

Nada rolou. Nem assalto, nem negociação. Exceto uma paranoia que motivou a pesquisa: nome da doença de quem é viciado em livros.

 Não encontrei respostas concretas, apenas umas suposições interessantes:
1)      Bibliófilo – quem coleciona livros
2)      Livrólatra – dependente de livros
3)      Bookaholic – o termo em inglês para doentes com livros
4)      Nerd – quem gosta de ler demais

Não acreditei muito nisso, no entanto, estou pensando seriamente em procurar tratamento. Na última visita que fiz à Livraria Travessa, no Rio de Janeiro (quando vou lá gosto de ser abençoado pelo Cristo, bater um papo com Iemanjá na praia e entrar na Travessa, em qualquer ponto da cidade), saí com cinco livros. Em uma semana, li três, sendo que ao longo do ano, comecei a leitura de outras sete ou doze obras, sem prazo de término até então.  Estão todos na cabeceira da cama. E não estou com vontade de retomar nenhum, porque já quero comprar um exemplar indicado numa resenha que li por aí.

Minha ânsia foi ampliada ao ver, numa revista, a imagem de milhões de livros amontoados formando uma estrutura de casa. É essa a ideia de arquitetos holandeses que criaram na pequena cidade de Spijkenisse, Holanda, uma biblioteca em formato de montanha de livros. No local, funciona um café e uma área de leitura protegidos por uma pirâmide de vidro, que garante a luminosidade para os leitores e é o principal atrativo para revitalizar o centro da cidade. Desejei muito ter algo parecido. Meus livros estão assim...empilhados pela casa.

                                                         © Jeroen Musch

Estou melhor. Coloquei pra fora este sentimento.

Vou ali ler. E desfazer um preconceito. Eu devia ter dado os livros ao possível assaltante. Sem dúvidas, eles seriam mais úteis a ele, porque eu não pretendo relê-los. E o sujeito teria acesso a histórias que marcaram a minha vida.

O que alivia é saber que tem gente como eu:
Viciados em livros - Facebook

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