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domingo, 29 de maio de 2016

A CANOA



Você tem um Plano B para a sua vida? Já pensou em algo que possa fazer caso o desemprego o assombre nos próximos dias? O que aprendeu recentemente? Está em busca de conhecimento constantemente? E se a canoa virar, colocará a culpa na Maria, que não soube remar? Se as perguntas provocaram intrigas em seus pensamentos está na hora de planejar mudanças no seu destino, porque a situação está ruim até para os peixes do mar.

A economia no País está tensa e isso assusta, não é mesmo? Dá medo do que pode vir a acontecer, pois não existem respostas prontas no mercado. Contudo, sobram dúvidas. Cruzar os braços e esperar o tempo resolver tudo? Rezar e pedir proteção aos santos das causas impossíveis e urgentes? Exigir mudanças na política? Difícil concluir algo nesse cenário nebuloso. Porém, há uma certeza. É preciso refletir sobre a afirmativa repetida nas rodas do boteco: “é na crise que se cresce”. Se ela bateu à sua porta ou ainda não te preocupa, prepare-se: o mundo está se transformando. E o que você fará?

Uma parábola produzida por um anônimo, que circula na Internet, pode estimular uma motivação para as ações que devem ser tomadas atualmente com foco no futuro. Diz a narrativa:  

“Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro. Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora. Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:

- Companheiro, você entende de leis?
- Não! Respondeu o barqueiro. E o advogado compadecido:
- É pena, você perdeu metade da vida.
A professora, muito social, entra na conversa:  
- Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?
- Também não, respondeu o humilde homem.
- Que pena! Você perdeu metade de sua vida!
Nisso chega uma onda muito forte e vira o barco. O barqueiro preocupado, pergunta:
- Vocês sabem nadar?
- NÃOOOOO! Responderam eles rapidamente.
- Então é uma pena, encerra o barqueiro, dizendo:
- Vocês perderam toda a vida.”

Ao finalizar o texto, o autor também dá a lição: “não há saber maior ou saber menor. Há saberes diferentes. Pense nisso e valorize todas as pessoas com as quais tenha contato. Cada uma delas tem algo diferente para ensinar. Ninguém sabe de tudo. Todos os dias temos algo novo para aprender”.  

Por isso, pense e comece a agir. Não espere as intempéries acontecerem para que você tome uma atitude. Coloque um propósito como desafio e encare-o com disciplina, com paciência, com força de vontade, com dedicação. Deseje aprender algo desconhecido, que te trará prazer, simplesmente, para que tenha uma carta curinga para facilitar o jogo.

Infelizmente, a crise é para todos. Chorar e reclamar não contribuirão em nada. Para enfrentar este doloroso momento, espera-se que haja, ao menos, crescimento, sobretudo, na área do seu próprio conhecimento ou outros que deseje adquirir. Todavia, ele não brota na terra. Deve-se buscá-lo em cursos, em leituras, em vivências sociais.

Sabedoria é um grande remédio para os males do mundo. Usada em doses certas, não haverá surpresas desagradáveis. Saiba que a atualidade necessita de múltiplas habilidades, de profissionais com funções variadas, de pessoas com diferenciais. Urge a criação de planos B, C, D etc. Conclui-se, portanto, com as sábias palavras de Charles Darwin, ao mostrar o que é a Teoria da Evolução: “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. Quem sobrevive é o mais disposto à mudança”. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A PRIMEIRA VEZ


Gosto da provocação que me leva a refletir. Perguntas fora de lógica, em momentos inapropriados, interrogações instigantes para que eu possa me expressar além da obviedade comum a todo ser humano. As dúvidas daqueles que desejam conhecer meus pensamentos são estimulantes. Por outro lado, como profissional das indagações, prefiro ser surpreendido com a resposta a obter informações vazias quando tenho de fazer alguma entrevista. Curioso por natureza, questiono aquilo que desconheço, leio nas entrelinhas, ouço o que não foi revelado, e assim fico agindo como um policial investigador. Modestamente, tenho o dom de inquirir o entrevistado para que ele apresente suas verdades, suas opiniões. Por isso, o ofício do jornalismo. 

Apesar disso, incomoda-me aquelas entrevistas chamadas de “rapidinhas”: um lugar?, sorvete ou macarrão?, felicidade é?, uma comida?, amor ou sexo?, um sonho?. Mudo de canal, pois eu gostaria de conhecer o entrevistado por algo que nunca foi questionado. Ouvi-lo falar daquilo que se conversa na mesa de bar, dos assuntos proibidos – religião, sexo e política. Rapidinhas mais secretas, detalhes mais subjetivos, polêmicas e contradições da sua história pessoal. E é na reciprocidade que lido com isso, pois da mesma maneira que faço perguntas diferentes, eu quero mostrar ao interlocutor aquilo que ele não espera de mim, mas que é a minha realidade, a minha essência. 

Perguntaram-me num momento de descontração: qual foi a última coisa que você fez pela primeira vez? Fiquei em silêncio para dar retorno à dúvida, acreditando que a resposta estaria na ponta da língua. O filme rodou na mente para relembrar o passado. Refiz caminhos no cérebro, os olhos procuraram passagens recentes no teto vazio, a sobrancelha ficou arqueada em dúvida, nada saía da boca, as mãos se cruzaram nervosas. Suspirei em pânico pela ausência de palavras. Respondi que no próximo encontro, eu apresentaria uma lista. E a fiz depois de recordar de uma conversa estimulante.

Há alguns anos, uma amiga nutricionista me incentivou a um desafio. Sistematicamente, eu deveria me propor a aprender algo novo, para movimentar o cérebro, para sair da caixa do comodismo, para afastar doenças que vão definhando a memória, para ser um sujeito melhor, com mais referências culturais. A partir desse propósito, coloquei metas semestrais, dizendo que eu buscaria qualquer conhecimento, sobretudo de coisas que sempre tive vontade de fazer/estudar/conhecer, mas por falta de tempo não me dedicava. Entretanto, nessa busca objetivei me dedicar também a assuntos que não me interessavam como forma de estar aberto a novidades que poderiam surgir. 

A pergunta martelava. Fui tirando dos pensamentos as lembranças para chegar à conclusão que a última coisa que fiz pela primeira vez foi iniciar estudos do idioma francês. Estou usando a Internet para tal, ouvindo cantores populares na França, lendo a história do país para descobrir um universo fantástico. Até o momento só sei falar alguns termos mais comuns, como bom dia, obrigado, homem, mulher, ela, ele, eu, gato, rico, maçã, laranja. Estou me sentindo uma criança descobrindo as possibilidades da comunicação. Agora em outro idioma. E com esse espírito infantil sigo na caminhada para sempre acrescentar algo ao meu crescimento pessoal. Questionaram-me no singular, querendo uma única resposta. Porém, tenho tantas primeiras vezes para relatar...A conversa ficará para outro encontro, outros versos, quem sabe numa primeira vez que cruzarmos nossos olhos? 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

TROCA DE CADEIRA

       
Você já refletiu sobre os hábitos que vamos cultivando no dia a dia e como eles podem fazer mal quando algo acontece diferente do que estava previsto? Se sim, espero que goste deste texto. Se não, desejo que esta crônica contribua para que você “saia do casulo” do comodismo, porque é isso que está me motivando neste momento, em que estou buscando algumas mudanças.

Gosto muito da história dos japoneses que vieram para o Brasil na época da liberação de terras para os estrangeiros, quando a escravidão terminou por aqui. Fico pensando na ousadia e na coragem dos imigrantes que arriscaram uma vida confortável e segura no próprio país em busca de um sonho, que nem poderia se concretizar, em um lugar desconhecido, distante e com uma geografia completamente diferente do Japão. Naquele tempo, tudo era incerto. Não havia a deusa Internet e o santo Google para ajudar na busca de informações e mesmo assim os “japas” subiram nos navios, viajaram muitos dias até avistarem a paisagem já conhecida por Cabral, onde tudo que se planta nasce. Conhecer esse momento mudou alguns rumos que tento trilhar.

Esse determinismo sempre me estimula, quando quero fazer algo diferente da minha rotina. Claro que é muito mais cômodo cumprir diariamente os mesmos trabalhos, percorrer os mesmos caminhos, conviver com quem já conhecemos os defeitos e as manias. Obviamente, isso é fácil e torna a existência mais serena. Contudo, viver assim é muito sem graça. É monótono demais.  Por isso, acredito que há momentos em que é preciso dar uma sacudida nos afazeres, mudar o corte de cabelo, trocar o estilo das roupas, viajar. Tem gente também que troca de emprego, muda de cidade, termina relacionamentos.  Se a atitude for positiva e nos fazer felizes, devemos encarar, mesmo que haja um pouco de dor.

Dias atrás, estava hospedado em um hotel, aproveitando as férias, quando me surpreendi criando um costume rotineiro: eu estava me sentando na mesma mesa, na mesma cadeira, na mesma posição, em todos os cafés da manhã, comendo as mesmas iguarias servidas no cardápio. No quinto dia, quando cheguei ao salão, tive que escolher outro lugar, pois o “meu trono” já estava ocupado. Aquilo me deu uma angústia momentânea, mas logo voltei para a realidade me questionando que ter aquele sentimento era uma bobagem.  Sentei-me numa mesa mais afastada e tive uma surpresa, pois a cadeira era mais confortável, os garçons passavam com mais frequência, os outros hóspedes não esbarravam e era possível assistir à televisão.

Um filme passou na cabeça, sobretudo das lembranças dos territórios que demarquei ao longo dos anos que tenho de estrada pela vida. Na escola, era aquele banco, debaixo da árvore que dava sombra; no ônibus que liga Bom Despacho a Belo Horizonte, a mesma poltrona; em casa, o prato azul, o garfo com cabo de madeira, o copo de requeijão, o canto direito do sofá; na sorveteria, o sorvete era de abacaxi; para divertir, os mesmos discos; e por aí vai.

Ainda bem que me contaram a saga dos japoneses. A partir disso, passei a querer novidades. Sou ansioso para aventuras, para novas emoções, para conhecer gente, para colocar a mochila nas costas e sair descobrindo culturas. Eu prefiro estar preparado para o inusitado, ter sempre um plano “B”, e ir curtindo a rotina na medida do possível. Quando o comodismo me pega, busco inspiração na coragem dos “olhinhos puxados”. Acho que eles enxergam longe.

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