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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AS 15 MÚSICAS MAIS MARCANTES DO KID ABELHA


Vida de técnico não deve ser fácil: escolher entre os melhores atletas aqueles que vão disputar uma competição em nome do país. Selecionar as frutas mais tenras para uma sobremesa, o vinho para acompanhar o prato da noite romântica. Dilemas do cotidiano que nos trazem aflições. Lista é mania no mundo: os 10 mais ricos, as cem mais sexy, as mais tocadas da semana. E neste conflito, demorei para fazer uma seleção das preferidas e mais marcantes  do Kid Abelha, já que entre tantos CDs, singles, participações, eu gosto de todas. Afinal, ela ainda é a melhor banda da minha vida.

Não há ordem cronológica, talvez momentos especiais. Se fosse produtor musical, elas não estariam em um único disco. Esta escolha possui parte dos vários anos em que os Abóboras Selvagens fazem parte do meu mundo paralelo. Aquele que gente constrói em sonhos e vai curtindo durante a realidade. Estas canções são minha história, minha rotina, meus amores, dissabores, alegrias, conceitos. Momentos.

Claro, que Uniformes, está no topo. Foi marcante sair da adolescência sem máscaras, mas encarando personagens sociais. Personagens inspirados nas músicas abaixo:
2) Fixação – lembranças daqueles que insistem em ficar na sua mente, mesmo quando deixam de ser importantes
3) Lágrimas e Chuvas e Fórmula do Amor – gestos e atitudes, o que somos, o que seremos, a formação de um caráter
5) Os outros – quem não teve um amor/amizade para servir de padrão para as outras escolhas?
6) Grand Hotel, Seu espião, Eu gosto de ser cruel – o primeiro contato com o Kid Abelha – pelas letras , foi amor ao primeiro CD, e estas fazem parte de boas histórias
9) Não vou ficar – sempre temos aquele momento de dizer não e dar a volta por cima
10) Combinação – nossos tratos, nossas concessões, enfim, a vida é uma troca para se viver bem quando se está junto
11) A moto – esta música é libertadora. Sair por aí sem destino numa moto é metáfora pra dizer: mude
12) Apenas timidez - sou tímido, isso basta para explicá-la
13) Por que eu não desisto de você - não gosto de perdas. Ninguém gosta. Luto contra isso, e perder é algo que me incomoda muito
14) Esotérico e Curvas das Estradas de Santos – a primeira de Gilberto Gil e a outra de Roberto Carlos, cantadas por Paula Toller dão outros sentidos à vida: o que somos sem Deus? A vida não é nada sem Ele...e nestas  curvas, são tantas histórias...

A escolha foi intensa. Complicada de fazer, porém esta lista resume o meu Kid Abelha.
Agora é a sua vez: conte-me o que cada música revela sobre a sua identidade. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

UNIFORMES: MINHA CANÇÃO PREFERIDA

Kid Abelha em 1983 / Foto: Site Anos 80

Na busca de identidade, as pessoas se transformam em personagens criados pela imaginação ou pelos estereótipos sociais, mas também naqueles arquitetados por tribos incomuns como os emos, neogóticos, punks, hipsters...Sempre há um jeito de se enquadrar num modelo. Basta vestir a farda e sair batendo continência na rua.

Nestes dias, ouvi um comentário sarcástico: veste de preto, pinta a boca com o batom mais escuro, coloca correntes pelo corpo, esfumaça o olho para encontrar com a turma na Praça da Savassi (local conhecido na capital mineira, onde jovens freqüentam com seus coturnos, calças e camisas de roqueiros e acessórios espalhados pelo corpo), mas quando chega em casa, veste o pijama de moletom, toma sopa feita pela mamãe e assiste à novela das nove. Ou seja, a casca desmancha e o personagem volta a ser um sujeito normal.

Desde adolescente, quando me apaixonei pelo Kid Abelha, apesar de gostar de várias músicas, eu escolhi uma que me identificasse no meio da multidão. Eu era diferente dos meus amigos, dos padrões da minha família, dos conceitos católicos pregados na pequena Bom Despacho, da vida daqueles que me cercavam. Sempre soube que minha identidade era diferente. Contudo, para me enquadrar e ser aceito socialmente, eu me tornei um personagem adequado às normas.

Menino da igreja, como fui conhecido após organizar a missa das 19 horas de domingo durante 10 anos...Rebelde sem causa, ao andar vestido de preto dos pés a cabeça, acompanhando banda de baile pelas cidades vizinhas...Aluno nota 10, ao tirar boas notas na escola...e tantos outros, que somente atores experientes podem interpretar. Sim, é isso mesmo, em cada momento, eu vestia uniformes. De estudante, de atleta do vôlei, da natação, do handebol, de cristão, de escoteiro, de funcionário da escola de inglês, de garçom do bar do meu pai, do engomadinho filhinho de mamãe...são tantos. Ah! Como são.

Talvez por isso a minha música predileta do Kid Abelha se chame UNIFORMES, a faixa nove, do disco Educação Sentimental, lançado em 1985, o segundo disco do trio. De composição do ex-Kid, Leoni, e de Léo Jaime, a canção fez muito sucesso, mas depois que Leoni se separou da banda e de Paula Toller, Uniformes saiu do repertório e das coletâneas. Não sei o motivo real da exclusão da música, no entanto, percebemos que os dois “trocaram elogios” em inúmeras letras, assim como o ex-casal de cantores da Era do Rádio, Dalva de Oliveira e Herilvelto Martins, fizeram no passado. Leoni pode ter pedido a guarda da filha e ganhou. O certo que Paula não canta mais, só nos discos.

A letra diz tudo o que penso sobre mim, o que sou, meu caráter, minha formação. Brinco que se alguém quiser me conhecer, basta interpretar os versos da melodia. Sou assim: um sujeito que se veste de diferentes formas, que ouve os mesmos discos, que lê livros que poucos sabem que existem, que possui heróis incomuns.

E se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais. (trecho de Esotérico, de Gilberto Gil, música também interpretada pelo Kid Abelha). E eu sou feito à semelhança Dele. Este é meu melhor personagem. O meu mais adequado uniforme. 

A letra está aqui:
Eu ouço sempre os mesmos discos/ Repenso as mesmas idéias / O mundo é muito simples / Bobagens não me afligem / Você se cansa do meu modelo /Mas juro, eu não tenho culpa /Eu sou mais um no bando /Repito o que eu escuto /E eu não te entendo bem /E quantos uniformes ainda vou usar /E quantas frases feitas vão me explicar /Será que um dia a gente vai se encontrar /Quando os soldados tiram a farda pra brincar /A minha dança, o meu estilo /E pouco mais me importa /Eu limpo as minhas botas /Não sou ninguém sem elas/ Você se espanta com o meu cabelo/ É que eu saí de outra história/ Os heróis na minha blusa/ Não são os que você usa/ E eu não te entendo bem

Ouça aqui!

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