domingo, 17 de novembro de 2013

ONDE ESTÃO OS ESTRANGEIROS DE BOM DESPACHO?

Dona Dora - foto publicada no Jornal de Negócios
na coluna do Professor Tadeu Araújo

Comprei um multiprocessador de alimentos ao ler que o eletrodoméstico é promessa de redução de esforço na cozinha. Ainda não foi inaugurado, mas a ideia de poder picar legumes para fazer uma sopa com mais agilidade é animadora e me faz até gostar dos dias frios. Acho que estou vivendo um momento de reflexão sobre as misturas da vida, das multipossibilidades. Até curso para aprender a criar drinques estou procurando como opção de atividade de lazer. Instiga-me conhecer o ponto certo da medida de bebidas para servir aos amigos que me visitam, justamente para revelar o segredo do sabor ideal para o paladar individual.

Nesta fase, da descoberta das miscelâneas que coincidentemente chegam até mim, tenho pensado acerca da formação do povo bom-despachense e, ao mesmo tempo, estou preocupado com a falta de tradições culturais, que foram esquecidas pelos descendentes dos estrangeiros que povoaram o leito do Rio Picão e suas redondezas. Por que em nossa cidade não há festas alemãs, suíças, austríacas, portuguesas, se entre nós há tantos filhos de pátrias europeias? Ainda bem que a referência africana resiste no nosso cotidiano, mas gostaria de provocar um renascimento do DNA, da nossa diversificada gente, que está escondido nos núcleos familiares.

Recentemente, conheci o Guilherme Knischewski e, logo depois, sua tia Maria Aparecida. Loiros, olhos claros, neto e filha dos germânicos que tanto ensinaram aos moradores de Bom Despacho. Depois destes encontros, quis saber a razão de não termos uma oktoberfest, uma confeitaria que vende o famoso strudel ou um restaurante especializado em joelho de porco e pratos com salsichas. As histórias da Colônia, principalmente da David Campista, estão somente no imaginário daqueles que conviveram com os imigrantes. Apesar dos relatos que já ouvi dos meus ancestrais, comecei a desconfiar se meu pai não era de uma origem alemã, por causa dos olhos azuis. Mas nada é concreto, assim como a presença desta cultura nos nossos costumes diários.

Como não se lembrar da alemã mais popular da cidade? Acredito que aproveitei pouco das conversas que joguei fora com a Dona Dora, quando ela ficava esperando a lotação na Avenida das Palmeiras, para passear com sua incrível força de viver, mesmo com as dificuldades da idade. Mulher do empreendedor Bruno Kohnert, um alemão que ensinou mecânica ao nosso povo, Dona Dora, pra mim, é um exemplo de vitalidade, típica dos seus conterrâneos. Ela tinha uma energia positiva fora do comum e deixou um legado que não pode morrer. E nós temos que fazer algo para relembrar esta memória. Este texto é uma iniciativa simplória para provocar reações e, quem sabe, movimentar ações para o turismo da Cidade Sorriso.

Minha família é “processada” também. Portugueses, espanhóis, índios, negros. E alguns dizem que temos até origem celta. Eu acho que até sangue italiano deve correr nas veias do meu povo que fala alto, festeja tudo, briga, faz as pazes ao redor do fogão. Somos isso: mistura de tradições, de culturas, de identidades, de mistérios, de indivíduos geneticamente típicos de Bom Despacho. Assim como todos os outros descendentes, que convido para resgatarmos a formação histórica da nossa terra. Precisamos fazer algo, com muito esforço, para trazermos de volta o nosso DNA, e apresentá-lo ao mundo. Misturado, mas, sobretudo, único nestas bandas. Por favor, comece por suas histórias. Escreva-as para mim e envie para o e-mail julianoazevedo@gmail.com.

3 comentários:

  1. Oi,boa tarde, hum! Adorei, ler suas palaras juliano. Sou testemunha de que vc, faz sopas, coquetéis desde pequenininho. cheguei um dia em sua casa, vc estava em cima de uma cadeira, colocando os legumes numa panela pra finalizar uma sopa pra vc, natália e seu saudoso pai. Fiquei apreensiva, mas o julio me tranquilizou dizendo; isto é fichinha pro leleu.... não é filhão...... ? Parabéns pelo seu empenho em agradar aos amigos visitantes.abraços.

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  2. Obrigado pela visita e pelas palavras de lembrança de uma memória gostosa do passado. Aguardo sua visita sempre. Abraços.

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  3. Precizamos de mais informações sobre as duas colônias que já estão quase esquecidas!!!

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