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domingo, 28 de agosto de 2016

O LEGADO DAS OLIMPÍADAS


Instrumento de disputa política interna, alvo de manifestações por todo o Brasil, estratégia de marketing esportivo, o sonho de atletas, a realização de um projeto de vida. As Olimpíadas são, na sua essência, o encontro de competidores de todo o mundo, o culto ao limite do corpo humano, a busca pela vitória, a conquista de medalhas, de recordes, de visibilidade. A união dos povos, dos continentes, das culturas. Um evento histórico que modifica a nação que a recebe. Para sempre ou somente durante uns meses. Um caso para ser analisado em diferentes óticas. Há perdas, há choros, há derrotas, há tretas e mutretas, há ouro, mas, principalmente, há esperança. Os acontecimentos durante os Jogos revelam isso.

Alvo de críticas, porém um fato, talvez aspiração única daqueles que treinaram por uma vida. Chegou ao fim. O resultado está no quadro de medalhas conquistadas. Os louros foram colhidos, outros virão nas próximas competições devido à responsabilidade adquirida após a subida no pódio. O que será daqui para frente? Os olhos do mundo vigiaram o Brasil durante três semanas. E os brasileiros? O que fizeram? O que você fez? Torceu? Vibrou? Chorou? Nem se tocou que o maior evento esportivo estava sendo realizado no Rio de Janeiro? Dançou o samba no encerramento ou agradeceu ao futebol pela única vitória que faltava à seleção canarinho? Ou apenas reclamou que a novela mudou de horário por causa das transmissões? Não importa o que passou. É preciso pensar no amanhã. Naquilo que as Olimpíadas deixarão como legado.

Rafaela Silva, vitoriosa no judô, é o espelho da nação. Sem vantagens, sem mídia, sem um defensor dos direitos garantidos pela Constituição, mesmo recebendo uma bolsa das Forças Armadas. Ela é, sobretudo, exemplo do voluntariado que move o país. Que não tem obrigação de fazê-lo, mas foi o jeitinho que a dignidade de um cidadão arrumou para tornar as terras tupiniquins um lugar melhor, por meio da prática esportiva. A judoca é fruto do voluntário que se dispõe a contribuir para a evolução daqueles a quem são negados os recursos dos impostos. Quem a formou sabe o valor de um incentivo. Luta para tirar crianças das ruas da amargura e do crime para que elas se tornem melhores, aprendendo valores que lhes foram negados de alguma maneira. Porém, e infelizmente, a oportunidade também não é para todos. A atleta merece o ouro pela sobrevivência.

A batalha de vários participantes das Olimpíadas é a mesma daqueles que pegam o ônibus lotado para garantir o pão na mesa. Daqueles que desafiam os limites em triplas jornadas em troca de uma miséria de salário, que custa a pagar o sal que tempera o pouco servido na cozinha. Dói ouvir que a medalha conquistada é do Brasil, quando os governantes pouco se interessam em aprovar projetos de investimento na educação, na cultura, no esporte. O ouro, a prata, o bronze devem ser distribuídos aos guerreiros do dia a dia.

As Olimpíadas são uma lição. De esforço, de superação, de domínio de técnicas. Entretanto, deve-se entender este evento como um marco de mudança, em que a gambiarra não é a maneira ideal para resolver problemas, mesmo sendo essa característica intrínseca ao gene brasileiro. Muito menos a corrupção, como quis fazer o nadador americano, acreditando que nas montanhas de Cabral tudo seria permitido.

Milhões de dinheiros foram gastos na construção do parque olímpico, cuja promessa é a existência de um espaço para a formação de novos atletas. Neste momento político, de eleições municipais, é a hora de outra atitude cidadã. Espera-se que o brasileiro passe a olhar para o Brasil. Os Jogos deram o ensinamento. O eleitor será o atleta principal da competição nas urnas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

LANÇAMENTO DE CAMPANHA ELEITORAL: QUERO SER POLÍTICO!!!


Não estamos no período eleitoral, portanto a Lei não permite que se faça campanha para nenhum cargo político. No entanto, diante do que está ocorrendo no Congresso Nacional – a farra da pizza de todos os tamanhos e sabores -, irei fazer política, entrar no jogo. Por isso lanço a minha candidatura a qualquer cargo público em que eu ganhe foro privilegiado, não importa se é para o Senado, a Câmara ou a Assembleia Legislativa. O maior desejo é pertencer ao mundo dos cidadãos públicos, para legislar em causa própria e, após eleito, esquecer todas as promessas gritadas aos ventos nos comícios.
            Antes de apresentar meu projeto de governo – pois a meta é chegar ao cargo máximo -, prometo que vou arrumar emprego para todos os meus parentes que vivem no ócio e não possuem qualquer habilidade. Como são aptos em fazer nada, vão ser bons assessores, especializados em medir e controlar o tempo de discursos vazios que já escrevi. Quando a tribuna estiver disponível, vou fazer elogios às realizações dos companheiros de partido, enumerar as qualidades dos colegas de oposição, mas que fazem parte da rede de relacionamentos, pois é preciso manter o trânsito entre todas as cadeiras.
            Prometo também que todos os brasileiros, principalmente aqueles que conheço e são meus eleitores fiéis, terão investimento em saúde, habitação, segurança, turismo e educação, conforme determinam todas as organizações, como a Mundial de Saúde (OMS), a Unesco, e tantas outras. Para minha família, auxílio-moradia, já que levarei os parentes para Brasília e, com isso, também vão precisar de plano de saúde. Um dos melhores, já que saúde é prioridade para uma “vida boa”. E como vamos ser alvos de adversidades, teremos que contar com carros blindados, seguranças 24 horas, muros altos, que só as grandes residências possuem. Outro benefício são os momentos de descanso, afinal meses de férias, segundas e sextas sem nada para fazer no Planalto Central, merecem ser trocados por longas viagens. Ganham-se oito passagens para a “terra da Lei” (mas que parece não ter xerife). Entretanto é muito pouco. Vamos ampliar o número de bilhetes e melhorar o turismo brasileiro. Com isso, o ramo da gastronomia receberá novos investimentos. Privilégio de alguns, a verba de representação – dinheiro recebido para gastos com restaurantes, festas, viagens -, será estendida para as casas legislativas. Todos vão comer do ótimo e do excelente e nos melhores lugares, quem sabe naqueles indicados como tops pelas revistas especializadas.
            Mas teremos mudanças significativas para os trabalhadores também, já que faremos o mercado da moda melhorar a economia nacional, com a geração de empregos e a venda de produtos e serviços: auxílio-paletó, auxílio-gravata, auxílio-camisa social, auxílio-abotoadoras, auxílio-sapato italiano.
            E para encerrar o mandato, quero desfrutar da aposentadoria por tempo de serviço. Oito anos atuando como deputado é muito cansativo. São tantas reuniões, comissões, investigações, votações. Será preciso tempo para gastar a verba de gabinete, que até a próxima eleição já terá sido acordada entre meus futuros colegas de profissão. Vote em quem fará algo pelo Brasil! Eu prometo! Mas com a mesma indignação de tantos milhões de eleitores que não podem votar no aumento do próprio salário.

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